Manual Interativo do EduPrompt C4

Recursos pedagógicos, metodologias e legislação portuguesa

Sobre este manual interativo

Este documento HTML acompanha o EduPrompt C4, criador de prompts destinados ao sistema educativo português, e enriquece-o com hiperligações para recursos oficiais portugueses (Direção-Geral da Educação / EduQA, Diário da República, ANQEP) e europeus (Comissão Europeia, JRC, European Schoolnet, OCDE, Conselho da Europa), bem como com referências académicas relevantes para cada metodologia ou enquadramento normativo.

Cada secção pode ser expandida ou recolhida individualmente. O EduPrompt C4 pode ser configurado de acordo com as preferências do professor, através da opção «Aspeto», existente no topo do menu.

Este manual foi criado pelo autor em coautoria com a ferramenta de IA Claude. O texto foi revisto pelo autor, procurando-se continuamente a diminuição do erro. Não existe, assim, a garantia de ausência de erros, sendo que, devido ao desenvolvimento e atualização das tecnologias, bem como à alteração da legislação, as afirmações presentes no texto podem necessitar de atualização. Caso detete alguma incorreção ou tenha propostas de melhoria, contacte o autor pelo email: frcamposri@gmail.com.

Ferramenta: EduPrompt C4 v4 · Autor: Fernando Rui Campos · Licença: MIT & CC BY-NC-SA
🆕 Novidades da versão 4.3
  • Formulário mais leve. O nível Básico passou a mostrar 6 secções em vez de 14. Uma secção oculta reaparece sozinha se tiver conteúdo — ver capítulo;
  • Notação matemática e científica. Novo campo em «Formato de Saída» que impede o LaTeX de se desformatar ao colar no Word e impõe a vírgula decimal portuguesa — ver capítulo;
  • Requisitos da metodologia. Escape room, Design Thinking, STEAM, debate, projeto interdisciplinar, jogo didático e outros passam a constranger o modelo, exigindo alinhamento curricular e acessibilidade — ver capítulo;
  • Avisos de coerência. Mais de 4 áreas do PASEO, ou combinações metodológicas incompatíveis (FCL), geram um aviso com confirmação — PASEO · metodologias;
  • 59 exemplos (antes 38), agrupados por departamento, com Expressões, Secundário e Ensino Profissional pela primeira vez;
  • O Arquivo tem agora uma parte inteira: pesquisar por disciplina, ano e medidas do DL 54 · reaproveitar e continuar a editar · o que significa ser um repositório público;
  • Correções. O botão «↺ Recomeçar» passou a funcionar (não estava a limpar nada), os contadores das secções deixaram de arrancar com valores fictícios, e carregar um exemplo já não herda campos do exemplo anterior.
Aviso essencial. A inteligência artificial pode produzir informação incorreta ou desatualizada — verifique sempre os resultados antes de os utilizar em sala de aula. Nunca insira nomes, dados pessoais ou informação identificável de alunos, encarregados de educação ou colegas em ferramentas de IA.

Parte I — Enquadramento

A primeira parte situa o EduPrompt C4 no quadro das transformações que a inteligência artificial generativa está a introduzir nas práticas pedagógicas. Apresenta os conceitos básicos, os princípios de utilização e as ligações ao quadro normativo português.

1. Apresentação e objetivos do manual

Este manual destina-se a apoiar professores do ensino básico na utilização pedagógica do EduPrompt C4, um construtor estruturado de prompts orientado para a educação inclusiva. A ferramenta foi pensada para reduzir a barreira de entrada na utilização de sistemas de IA generativa em contexto escolar, oferecendo um formulário guiado que produz prompts pedagogicamente robustas.

Após a leitura, o docente estará apto a:

  • compreender o que é uma prompt e por que motivo a sua qualidade determina a utilidade da resposta;
  • navegar autonomamente pelas onze secções do EduPrompt C4;
  • articular o uso da ferramenta com o DL 54/2018, as Aprendizagens Essenciais e o PASEO;
  • aplicar critérios éticos e de proteção de dados pessoais;
  • avaliar criticamente os resultados produzidos por IA.
✔ Como tirar partido deste manual

Leia primeiro as Partes I e II antes de abrir a ferramenta. Estabelecem o enquadramento ético e pedagógico que dá sentido às escolhas técnicas. Use a Parte III como referência aberta enquanto explora o EduPrompt C4.

2. O que é a Inteligência Artificial Generativa?

A Inteligência Artificial Generativa (IAG) é um ramo da IA cujos sistemas produzem conteúdos novos — texto, imagem, áudio, vídeo ou código — a partir de instruções fornecidas pelo utilizador. Os modelos mais difundidos em educação são os modelos de linguagem de grande escala (LLM — Large Language Models).

O que estes sistemas fazem bem

  • Produzir textos coerentes em português europeu (com afinação);
  • Reformular conteúdos para diferentes níveis de complexidade;
  • Gerar variantes de exercícios a partir de um exemplo;
  • Sugerir estruturas de planificação, rubricas e grelhas;
  • Traduzir entre línguas e adaptar registos.

O que estes sistemas não fazem bem

  • Garantir veracidade de factos, datas, citações;
  • Aceder a informação posterior à data de corte do treino;
  • Aplicar autonomamente o quadro normativo português;
  • Substituir o juízo profissional do docente;
  • Calcular com fiabilidade absoluta.
⚠ Alucinações: o erro disfarçado de certeza

Os modelos podem produzir, com aparência fluente e segura, informação fabricada — citações inexistentes, autores trocados, datas erradas. A redação correta não é prova de exatidão. Verificar é obrigatório.

🔗 Recursos sobre IA Generativa em Educação

3. O que é uma prompt e por que importa o seu desenho

Uma prompt é a instrução escrita que o utilizador envia ao sistema de IA. Equivale à descrição que daríamos a um colega altamente competente, mas que desconhece a turma, a disciplina e o quadro normativo. Quanto mais claros e contextualizados forem os elementos, mais útil será a resposta.

Anatomia de uma prompt pedagógica eficaz

  • Contexto: disciplina, ano, perfil da turma.
  • Tarefa: tipo de material pretendido.
  • Conteúdo: tema, AE, ou texto a trabalhar.
  • Requisitos pedagógicos: medidas, adaptações, PLNM.
  • Abordagens: metodologias, competências, standards.
  • Formato de saída: formato, tom, extensão.
  • Restrições: idioma, exclusão de dados pessoais.
◆ Comparação prática

Prompt pobre: «Faz uma ficha de Português para o 5.º ano sobre adjetivos.»

Prompt estruturada (gerada pelo EduPrompt C4): «CONTEXTO: És um professor experiente de Português em Portugal, especializado em educação inclusiva (DL 54/2018). Trabalhas com alunos do 5.º ano. TAREFA: Criar ficha diferenciada (3 níveis). CONTEÚDO: Adjetivos qualificativos e numerais; aplicar princípios DUA. REQUISITOS: a) Diferenciação pedagógica; b) Acomodações curriculares; PLNM A2. FORMATO: Ficha formatada | Médio | Acessível/simples. RESTRIÇÕES: Responde sempre em português de Portugal.»

🔗 Recursos sobre Prompt Engineering

4. Por que usar um construtor de prompts?

Os professores enfrentam três obstáculos recorrentes ao integrarem IA generativa: o tempo necessário para construir prompts robustas, a dificuldade em lembrar todos os elementos, e a tendência para prompts demasiado genéricas. O EduPrompt C4 resolve estas dificuldades através de um formulário estruturado.

Vantagens específicas:

  1. guia o docente pelos elementos essenciais;
  2. incorpora automaticamente referências legais e técnicas (DL 54/2018, Art.º 28, QECRL, FCL, Bloom, OCDE 2030);
  3. produz prompts em formato uniforme e reutilizável;
  4. permite gravar localmente para constituição de biblioteca pessoal;
  5. abre diretamente as principais ferramentas de IA.

5. Articulação com o Perfil dos Alunos (PASEO)

O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, de 26 de julho, define dez áreas de competências que orientam todo o trabalho pedagógico em Portugal.

As dez áreas de competências

  1. Linguagens e textos
  2. Informação e comunicação
  3. Raciocínio e resolução de problemas
  4. Pensamento crítico e pensamento criativo
  5. Relacionamento interpessoal
  6. Desenvolvimento pessoal e autonomia
  7. Bem-estar, saúde e ambiente
  8. Sensibilidade estética e artística
  9. Saber científico, técnico e tecnológico
  10. Consciência e domínio do corpo

Mapeamento entre EduPrompt C4 e PASEO

  • ABP e Resolução de problemas → Pensamento crítico e criativo;
  • Aprendizagem Cooperativa → Relacionamento interpessoal;
  • Design Thinking → Sensibilidade estética e Pensamento criativo;
  • Comunicação → Linguagens e textos / Informação e comunicação;
  • Literacia Digital → Saber científico, técnico e tecnológico;
  • Empreendedorismo → Desenvolvimento pessoal e autonomia.
🔗 Recursos PASEO

6. Articulação com as Aprendizagens Essenciais

As Aprendizagens Essenciais (AE) constituem o referencial curricular de cada disciplina, indicando o que os alunos devem saber, saber fazer e ser capazes de mobilizar em cada ano de escolaridade. Embora o EduPrompt C4 não consulte automaticamente o documento das AE, permite — e recomenda — que o docente as integre no campo «Conteúdo a trabalhar».

Estratégia de utilização com AE

  1. Identifique a Unidade temática ou Domínio das AE da sua disciplina e ano.
  2. Selecione os Descritores de desempenho a trabalhar.
  3. Cole os descritores no campo «Conteúdo a trabalhar».
  4. Combine com as restantes secções (medidas, abordagens, formato).
  5. Verifique se o material gerado responde aos descritores.
✔ Boa prática: AE no campo de conteúdo

Em vez de escrever apenas «substantivos» no campo Conteúdo, cole o descritor das AE: «Identificar e classificar substantivos quanto à subclasse (próprios, comuns, coletivos, concretos, abstratos)». O modelo passa a ter um referente preciso.

🔗 Aprendizagens Essenciais — DGE

7. Princípios pedagógicos subjacentes

O EduPrompt C4 assenta em três princípios pedagógicos centrais: a educação inclusiva, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e a diferenciação pedagógica.

Educação inclusiva

Tal como configurada pelo DL 54/2018, parte do princípio de que todos os alunos têm direito a uma educação de qualidade e à participação plena no currículo comum.

Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA)

O DUA propõe que os materiais e ambientes de aprendizagem sejam concebidos, à partida, para servir a maior diversidade de alunos. Operacionaliza-se em três princípios:

  • Múltiplos meios de representação: imagens, áudio, texto, manipuláveis, esquemas;
  • Múltiplos meios de ação e expressão: oral, escrita, desenho, vídeo, dramatização;
  • Múltiplos meios de envolvimento: escolha de temas, contextos relevantes, desafio adequado.

Diferenciação pedagógica

Diferenciar é oferecer percursos variados — em conteúdo, processo, produto ou ambiente — que permitam que todos os alunos progridam a partir do ponto em que se encontram.

🔗 Recursos sobre DUA e diferenciação

Parte II — Ética, privacidade e responsabilidade

Utilizar IA em educação implica decisões éticas que afetam alunos, encarregados de educação, colegas e a instituição escolar. Esta parte apresenta princípios fundamentais e regras práticas a observar.

8. Princípios éticos no uso de IA em sala de aula

  • Responsabilidade humana — o docente é responsável final por todo o material, mesmo gerado por IA.
  • Transparência — comunicar à comunidade educativa a utilização de IA.
  • Equidade e ausência de enviesamento — ler criticamente para detetar estereótipos.
  • Centralidade humana — a IA amplia, não substitui o juízo profissional.
  • Não discriminação — garantir que a IA não introduz novas barreiras.
  • Proteção do interesse superior do aluno — respeitar dignidade e autoestima.
🔗 Princípios éticos em IA educativa

9. RGPD aplicado ao uso de IA em educação

O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e a Lei n.º 58/2019 são aplicáveis a qualquer tratamento de dados pessoais, incluindo interações com sistemas de IA generativa.

O que constitui um dado pessoal

  • nome, apelido;
  • número de aluno, número de processo;
  • morada, telefone, correio eletrónico;
  • informação de saúde, religiosa, étnica;
  • fotografias, vídeos, gravações de voz;
  • resultados de avaliação associados a aluno identificável;
  • relatórios técnico-pedagógicos, programas educativos individuais.
⚠ Dados de saúde: categoria especial

Informação sobre diagnósticos, perturbações do desenvolvimento, dificuldades específicas, perturbações do espetro do autismo, etc., constitui dado pessoal de categoria especial (saúde) ao abrigo do Art.º 9.º do RGPD. Estão sujeitos a regime de proteção reforçado e nunca devem ser inseridos em ferramentas externas de IA.

Boas práticas em conformidade

  1. Use referências genéricas: «aluno com PEA» em vez de «o João, do 5.º A».
  2. Descreva o perfil da turma agregado.
  3. Não cole produções de alunos identificáveis.
  4. Quando adapta um trabalho concreto, anonimize integralmente.
  5. Verifique a política de retenção de dados da plataforma de IA.
  6. Privilegie ferramentas institucionais com contrato de tratamento estabelecido.
✔ Princípio prático: o teste do encarregado de educação

«Se o encarregado de educação visse este texto, sentir-se-ia confortável?» Se a resposta for negativa, generalize ou anonimize antes de prosseguir.

🔗 Proteção de dados em escolas

10. Verificação humana obrigatória

O próprio EduPrompt C4 apresenta, no topo do formulário, um aviso explícito: a IA pode errar e a verificação humana é obrigatória. Aplique sistematicamente.

Lista de verificação após geração

  • Factualidade: datas, nomes próprios, citações, dados estatísticos.
  • Rigor científico: conceitos corretos, sem simplificações enganosas.
  • Língua: português europeu, ortografia, ausência de brasileirismos.
  • Adequação ao DL 54/2018: respeito pelas medidas selecionadas.
  • Enviesamentos: estereótipos, exclusões, juízos desadequados.
  • Alinhamento curricular: conteúdos alinhados com AE.
  • Correção de soluções: chaves de resposta corretas.

11. Propriedade intelectual e atribuição

  • Não cole textos protegidos integrais (capítulos de manuais, livros) no EduPrompt C4.
  • Indique, ao partilhar materiais, que foram gerados com apoio de IA.
  • Não atribua a alunos como sua autoria texto inteiramente gerado por IA.
  • O EduPrompt C4 está sob CC BY-NC-SA — pode adaptar e partilhar atribuindo o autor.
🔗 Direitos de autor e licenciamento

12. Comunicação com encarregados de educação

A integração de IA beneficia de transparência junto dos encarregados de educação:

  • informar, no início do ano letivo, sobre eventual utilização de ferramentas de IA;
  • esclarecer que não são partilhados dados pessoais dos alunos;
  • manter abertura para dúvidas concretas;
  • envolver agrupamento, direção e coordenador no estabelecimento de práticas comuns.

13. Checklist ética antes de cada utilização

  1. Estou a inserir algum dado pessoal?
  2. Estou a inserir conteúdos protegidos?
  3. Estou consciente de que vou ter de verificar criticamente?
  4. Estou a usar a ferramenta para amplificar, e não substituir?
  5. Vou comunicar aos alunos e EE, quando relevante, que o material foi gerado com apoio de IA?
  6. A finalidade respeita o interesse superior dos alunos?

Parte III — A ferramenta EduPrompt C4

A terceira parte percorre as onze secções da ferramenta. Pode ser lida integralmente ou usada como referência aberta enquanto explora o EduPrompt C4.

14. Acesso e visão geral da interface

O EduPrompt C4 está acessível em cardosolopes.net/recursos/eduprompt.html. Não exige registo nem armazena dados em servidor — todo o trabalho é local no navegador.

Estrutura visual

  • Cabeçalho: identificação e versão (v4);
  • Corpo: aviso, exemplos e onze secções colapsáveis, terminando na caixa verde com a prompt gerada;
  • Rodapé: autoria, contacto, licença e data de geração.

À medida que preenche os campos, a prompt vai sendo construída automaticamente.

15. Secção «Contexto»: disciplina e ano

A lista de disciplinas está organizada em três grupos:

  • Pré-escolar (OCEPE): seis áreas das Orientações Curriculares.
  • Disciplinas: lista alfabética dos ensinos básico e secundário.
  • Educação Especial: seis áreas de intervenção.

Selecionar «Outra» permite escrever a designação da disciplina ou Unidade de Competência.

🔗 Currículos e orientações curriculares

15-A. Secção «PASEO — Perfil dos Alunos»

O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO) é o referencial curricular comum a todas as escolas e ofertas educativas, homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, de 26 de julho. Estrutura-se em princípios, visão, valores e áreas de competências. É transversal a todos os ciclos: do 1.º ciclo ao ensino secundário, o que varia é o nível de desenvolvimento esperado, não o conjunto de competências.

⚠ Selecionar mais de quatro áreas de competências gera um aviso

O PASEO tem dez áreas de competências. É tentador assinalá-las quase todas — mas uma atividade não consegue trabalhar, e muito menos avaliar, mais do que três ou quatro áreas com profundidade. Acima disso, o modelo de linguagem produz referências decorativas: menciona as competências no texto sem que elas tenham qualquer tradução na tarefa.

A partir de cinco áreas, o EduPrompt C4 mostra um aviso com um botão «Confirmo — é intencional». A pergunta a fazer é simples: quais destas áreas vou efetivamente avaliar nesta atividade? As outras podem sair.

A exceção legítima é a sequência longa ou o projeto — um DAC, por exemplo — em que várias áreas são de facto mobilizadas ao longo de várias semanas. Nesse caso, confirme o aviso.

Esta secção, colocada logo a seguir ao «Contexto», permite indicar à IA que áreas de competências e que valores do PASEO devem ser privilegiados na tarefa. A seleção é múltipla — uma tarefa mobiliza, em regra, várias competências em simultâneo.

Áreas de Competências (dez)

Cada área pode ser consultada individualmente a partir do ícone ℹ da secção «PASEO» da ferramenta:

  • Linguagens e textos — uso de linguagens verbais, simbólicas e icónicas; leitura, interpretação e produção de textos de diferentes tipos.
  • Informação e comunicação — pesquisa, seleção, organização e comunicação de informação de forma autónoma e crítica.
  • Raciocínio e resolução de problemas — análise de situações, formulação de estratégias e tomada de decisão fundamentada.
  • Pensamento crítico e pensamento criativo — observação, questionamento, argumentação e geração de ideias originais.
  • Relacionamento interpessoal — interação com os outros, trabalho em equipa, gestão de conflitos e empatia.
  • Desenvolvimento pessoal e autonomia — autoconhecimento, autorregulação, definição de objetivos e responsabilidade pelas escolhas.
  • Bem-estar, saúde e ambiente — cuidado consigo, com os outros e com o ambiente; sustentabilidade e estilos de vida saudáveis.
  • Sensibilidade estética e artística — fruição, apreciação e criação artística; valorização do património cultural.
  • Saber científico, técnico e tecnológico — compreensão de fenómenos, uso de instrumentos e aplicação de saberes técnicos e tecnológicos.
  • Consciência e domínio do corpo — perceção e controlo do corpo, motricidade, expressão e atividade física.

Princípios e Valores

  • Responsabilidade e integridade — respeito por si e pelos outros; coerência entre o que se pensa, diz e faz.
  • Excelência e exigência — aspiração ao trabalho bem feito, ao rigor e à superação pessoal.
  • Curiosidade, reflexão e inovação — vontade de aprender, de questionar e de procurar novas soluções.
  • Cidadania e participação — envolvimento ativo na vida da comunidade e exercício consciente da cidadania.
  • Liberdade — autonomia pessoal e responsabilidade nas escolhas, no respeito pela liberdade dos outros.

Como articular com as Aprendizagens Essenciais

O PASEO define para que perfil se educa; as Aprendizagens Essenciais (AE) definem o que cada disciplina deve trabalhar em cada ano. As duas dimensões completam-se: ao preencher o campo «Conteúdo/tema», recomenda-se colar ou resumir as AE da disciplina e do ano em causa, e usar esta secção para indicar que competências do PASEO essa tarefa deve mobilizar. As AE são revistas periodicamente e por disciplina/ciclo, pelo que se deve consultar sempre a versão em vigor na página da DGE (ver «Legislação e Normativos»).

🔗 Documentos de referência

16. Secção «Planificação Temporal»

Esta secção permite calibrar o material gerado ao tempo real de trabalho. Começa por escolher o âmbito da planificação, que reconfigura os campos seguintes:

  • Aula / Sequência — para uma temática ou unidade didática curta;
  • Planificação anual — para uma disciplina ao longo de um ano;
  • Planificação plurianual — para um ciclo ou intervalo de anos (típico do agrupamento).

Âmbito «Aula / Sequência»

O modo predefinido, com três campos para dimensionar uma atividade ao tempo disponível:

  • Duração do tempo letivo: 30, 45, 50, 60, 90 ou 120 minutos;
  • Tempos por semana: número de tempos letivos semanais;
  • Número de aulas para a temática: total de tempos previstos para a unidade.

Âmbito «Planificação anual»

Para planificar uma disciplina num ano letivo. A IA recebe a instrução de distribuir os conteúdos e produzir uma planificação anual (não uma ficha de aula). Campos:

  • Tipo de ensino: Regular (a IA distribui pelos domínios das Aprendizagens Essenciais e pelos períodos) ou Profissional (a IA organiza por módulos/UFCD, considerando o limite habitual de 25 ou 50 horas por UFCD na componente técnica, salvo qualificações já revistas no CNQ);
  • Horas totais previstas: campo numérico aberto (ex.: 200). Referências habituais: disciplina anual ~150–320 h;
  • Tempos por semana e semanas letivas: opcionais — se preencher, a IA calcula a carga a partir destes valores;
  • Nº de aulas/tempos do ano: opcional — se deixar vazio, a IA calcula a partir dos tempos/semana × semanas;
  • Organização: Por períodos ou Semestral (ver abaixo);
  • Nº real de aulas por período/semestre e motivo da assimetria (ver «O real e não o ideal»).

Âmbito «Planificação plurianual»

Para um ciclo completo ou um intervalo de anos — a perspetiva típica de um agrupamento que planifica disciplinas de continuidade (Português, Matemática). Em vez de um número fixo de anos, indica-se um intervalo livre:

  • Ano inicial e Ano final (de 1.º a 12.º). Cobre qualquer combinação: 1.º–4.º, 5.º–6.º, 7.º–9.º, 10.º–12.º, 1.º–9.º, 1.º–12.º, etc. Se inverter a ordem, o EduPrompt C4 corrige automaticamente;
  • O número de anos é calculado e a prompt indica os ciclos abrangidos;
  • Articulação vertical: quando o intervalo atravessa mais do que um ciclo, a prompt instrui a IA a assegurar a continuidade entre ciclos, com atenção aos anos de transição (4.º→5.º, 6.º→7.º, 9.º→10.º);
  • Nível de detalhe: para intervalos longos (5 ou mais anos), a prompt pede um plano de alto nível — linhas mestras de progressão por ano e por ciclo —, não uma planificação aula a aula;
  • Mantém todos os campos do âmbito anual (tipo de ensino, horas, organização, assimetria) mais a possibilidade de descrever diferenças entre anos.

Organização: por períodos ou semestral

Algumas disciplinas (por exemplo, TIC) organizam-se por semestres, com ratificação da avaliação no final do ano. Ao escolher Semestral, o EduPrompt C4 limita a estrutura a dois momentos, ajusta os rótulos para «semestre» e a prompt passa a referir a ratificação anual. Em modo Por períodos, mantém-se a lógica trimestral habitual.

O real e não o ideal

A planificação raramente corresponde ao cenário ideal de aulas iguais e ininterruptas. O EduPrompt C4 permite refletir o calendário real:

  • Assimetria entre períodos/semestres: pode indicar o número real de aulas efetivas em cada período/semestre. Os campos surgem dinamicamente (dois ou três, consoante a organização). Quando preenchidos, a prompt instrui a IA a respeitar essa assimetria e a não sobrecarregar o período mais curto;
  • Motivo da assimetria: campo de texto livre para explicar a causa (feriados, provas globais, exames, avaliação externa);
  • Diferenças entre anos (apenas no plurianual): a prompt inclui sempre a instrução de que os anos não têm necessariamente o mesmo número de aulas, e há um campo livre para detalhar (por exemplo, anos com provas de aferição têm menos aulas).

Todos estes campos são opcionais: se nada for preenchido, a planificação assume uma distribuição equilibrada. Note ainda que o número de semanas letivas é sempre uma estimativa que varia com o calendário escolar de cada ano, pelo que os totais devem ser tratados como aproximados.

16-A. Planificação Temporal — guia de configuração e cálculo

Esta secção detalha, passo a passo, como configurar cada cenário de planificação e como o sistema trata os números. Complementa o capítulo anterior com exemplos concretos.

Quem faz as contas: o EduPrompt C4 ou a IA?

É importante perceber a divisão de trabalho. O EduPrompt C4 não calcula internamente o número de aulas — limita-se a recolher o que indica e a construir uma instrução clara. É a IA que, ao receber a prompt, faz a aritmética quando necessário. Quando deixa o nº de aulas em branco mas indica tempos/semana e semanas letivas, a prompt diz explicitamente à IA para multiplicar um pelo outro. Por isso, o resultado é uma estimativa fundamentada, não um valor oficial.

Regras de precedência

Quando vários campos coexistem, o sistema segue esta ordem:

  • Carga horária: se preencher «Horas totais», é esse o valor usado; só se estiver vazio é que a IA calcula a carga a partir de «tempos/semana × semanas letivas»;
  • Número de aulas: se preencher «Nº de aulas/tempos do ano», esse valor prevalece; se o deixar vazio mas tiver indicado tempos/semana e semanas, a prompt pede à IA que calcule o número de aulas (tempos/semana × semanas);
  • Assimetria por período/semestre: só entra na prompt se preencher pelo menos um dos campos de aulas por período. Caso contrário, a IA assume distribuição equilibrada.

Organização: 3 períodos vs semestral

A escolha em «Organização» muda a estrutura e a linguagem da prompt:

  • Por períodos: mantém a lógica trimestral. O seletor permite 1, 2 ou 3 períodos. A prompt fala de «períodos letivos»;
  • Semestral: o sistema limita a estrutura a dois momentos (desativa a opção «3»), muda os rótulos para «semestre» e acrescenta à prompt a indicação de que a avaliação é ratificada no final do ano letivo.

Exemplo 1 — TIC organizada por semestres (planificação anual)

Disciplina semestral típica. Configuração sugerida:

  • Âmbito: Planificação anual;
  • Tipo de ensino: Regular;
  • Organização: Semestral;
  • Semestres: 2;
  • Horas totais (ou tempos/semana + semanas, deixando a IA calcular);
  • Duração do tempo letivo: 50 ou 90 minutos, conforme o horário.

Resultado: a IA distribui os conteúdos por dois semestres e considera a ratificação anual da avaliação.

Exemplo 2 — Matemática do 7.º ao 9.º por semestres (plurianual)

Plano de continuidade de um agrupamento, em organização semestral:

  • Âmbito: Planificação plurianual;
  • Ano inicial: 7.º; Ano final: 9.º (o sistema reconhece 3 anos, todos no 3.º ciclo);
  • Tipo de ensino: Regular;
  • Organização: Semestral; Semestres: 2.

Resultado: a IA produz um plano para os três anos, distribuído por semestres, garantindo progressão e articulação vertical. Como o intervalo fica dentro de um único ciclo, não são acionadas notas de transição entre ciclos.

Exemplo 3 — Discrepância de aulas entre o 1.º e o 2.º semestre

Quando os semestres têm número de aulas diferente (o caso real mais frequente):

  • Defina Organização: Semestral e Semestres: 2;
  • Surgem dois campos dinâmicos — preencha, por exemplo, 1.º semestre: 32 e 2.º semestre: 26;
  • No motivo da assimetria, escreva a causa (ex.: «2.º semestre mais curto por exames e avaliação externa»).

Resultado: a prompt transmite a distribuição real e instrui a IA a respeitar a assimetria, sem sobrecarregar o semestre mais curto.

Exemplo 4 — Atividades extracurriculares que ocupam aulas

Visitas de estudo, atividades do Plano Anual de Atividades ou provas globais ocupam tempos letivos que não dão matéria nova. O EduPrompt C4 não tem (ainda) um campo dedicado a este desconto, mas pode refleti-lo com os campos existentes de duas formas:

  • Recomendada: no «nº real de aulas por período/semestre», indique já o número líquido — ou seja, as aulas efetivamente disponíveis para conteúdos, depois de descontar as ocupadas por atividades. Ex.: se o período tem 30 tempos mas 4 são para uma visita de estudo e revisões, indique 26;
  • No motivo da assimetria, registe o contexto (ex.: «menos 4 aulas por visita de estudo e atividades do PAA»), para que a IA compreenda a razão e não tente «recuperar» o tempo.

Assim, a planificação reflete o tempo real para conteúdos, não o tempo teórico do horário.

Anos com número de aulas diferente (plurianual)

Num plano plurianual, cada ano tem o seu calendário. A prompt inclui sempre a indicação de que os anos não têm necessariamente o mesmo número de aulas; e o campo «diferenças entre anos» permite detalhar (ex.: «o 9.º ano tem menos aulas por causa das provas finais»). A IA trata cada ano segundo o seu contexto, em vez de assumir anos iguais.

17. Secção «Medidas Universais» (DL 54/2018, Art.º 8.º)

Medidas para todos os alunos. Cinco alíneas:

  • a) Diferenciação pedagógica — variantes para diferentes níveis;
  • b) Acomodações curriculares — ajustes sem alterar objetivos;
  • c) Enriquecimento curricular — extensões para altas capacidades;
  • d) Promoção do comportamento pró-social — competências socioemocionais;
  • e) Intervenção académica ou comportamental — apoio específico.

O DUA como base das medidas universais

As medidas universais e o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) não são dois sistemas paralelos: o DUA é a abordagem proativa que dá corpo às medidas universais. Em vez de esperar que um aluno encontre uma barreira para então reagir, o DUA propõe que o recurso seja concebido, à partida, para a maior diversidade possível de alunos. Quando isso acontece, muitas necessidades são respondidas logo ao nível universal — reduzindo o recurso a medidas seletivas ou adicionais, que são, por natureza, reativas. É esta a lógica de progressão do DL 54/2018: quanto mais forte o desenho universal, menor a necessidade de diferenciação reforçada.

Os três princípios do DUA articulam-se diretamente com as alíneas do Art.º 8.º tal como o EduPrompt C4 as operacionaliza:

Princípio DUAMedida universal associadaConcretização no EduPrompt C4
Representação (o «o quê» da aprendizagem) — apresentar a informação em múltiplos formatos.a) Diferenciação pedagógica
b) Acomodações curriculares
Variantes para diferentes níveis e ajustes de formato, tempo ou materiais sem alterar os objetivos essenciais.
Ação e expressão (o «como») — permitir diferentes formas de demonstrar a aprendizagem.a) Diferenciação pedagógica
e) Intervenção académica
Múltiplos meios de resposta (oral, escrito, prático) e reforço estruturado de conceitos-base.
Envolvimento (o «porquê») — estimular a motivação e a persistência.c) Enriquecimento curricular
d) Comportamento pró-social
Extensões desafiantes para quem domina os conteúdos e momentos de reflexão e trabalho colaborativo.

Esta articulação não é rígida — uma mesma alínea pode servir mais do que um princípio — mas ajuda a perceber porque cada medida universal existe. Ao selecionar medidas universais no EduPrompt C4, está, na prática, a instruir a IA para aplicar princípios DUA ao recurso gerado.

🔗 DL 54/2018 e medidas universais

18. Secção «Medidas Seletivas» (Art.º 9.º)

Medidas que requerem decisão fundamentada da EMAEI:

  • a) Percursos Curriculares Diferenciados;
  • b) Adaptações Curriculares Não Significativas (ACNS);
  • c) Apoio psicopedagógico;
  • d) Antecipação e reforço das aprendizagens;
  • e) Apoio tutorial.

19. Secção «Medidas Adicionais» (Art.º 10.º)

Medidas para alunos cujas necessidades exigem alterações significativas ao currículo:

  • a) Frequência do ano por disciplinas;
  • b) Adaptações Curriculares Significativas (ACS);
  • c) Plano Individual de Transição (PIT);
  • d) Metodologias de ensino estruturado (TEACCH, ABA, Modelo Denver);
  • e) Competências de autonomia pessoal e social.
🔗 Medidas adicionais e ensino estruturado

20. Secção «Adaptações de Avaliação» (Art.º 28.º)

Dez tipos de adaptações ao processo de avaliação interna e externa:

  1. Diversificação de instrumentos (inquéritos, entrevistas, vídeo/áudio);
  2. Formatos acessíveis (Braille, relevo, Daisy, digital);
  3. Interpretação em LGP;
  4. Produtos de apoio (tecnologias);
  5. Tempo suplementar;
  6. Transcrição de respostas;
  7. Leitura de enunciados;
  8. Sala separada;
  9. Pausas vigiadas;
  10. Código de cores.
⚠ Coerência

As adaptações de avaliação devem corresponder àquelas formalmente aprovadas no Relatório Técnico-Pedagógico. Usar o EduPrompt C4 para gerar uma ficha adaptada não substitui o circuito formal de decisão da EMAEI.

🔗 Adaptações de avaliação — IAVE e DGE

21. Secção «PLNM»: Português Língua Não Materna

Os níveis seguem o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECRL):

  • A0: sem conhecimentos; vocabulário visual essencial, apoio bilingue;
  • A1: iniciação; vocabulário de alta frequência, frases muito simples;
  • A2: elementar; evita expressões idiomáticas, glossário;
  • B1: intermédio; pode usar vocabulário técnico se explicado;
  • B2: independente; pequenas adaptações;
  • C1: proficiente; linguagem normal.
🔗 PLNM e QECRL

22. Secção «Abordagens Pedagógicas»

Quatro blocos. (Aprofundamento detalhado na secção «Metodologias em detalhe» mais abaixo.)

⚠ Nem todos os blocos se combinam — o EduPrompt C4 avisa

A partir da versão 4.3, a ferramenta deteta combinações metodologicamente incoerentes e mostra um aviso, com um botão «Confirmo — é intencional». O aviso não bloqueia nada: informa, e reaparece se alterar a seleção.

  • Mais do que uma zona FCL. Cada zona do Future Classroom Lab corresponde a uma atividade e a uma metodologia próprias, com organização de espaço, tempo e papéis distinta. Não se combinam numa atividade única. Se está a desenhar um percurso multi-zona — uma sequência em que a turma passa por várias zonas em momentos diferentes — confirme o aviso, mas descreva-o no Conteúdo como sequência, não como atividade.
  • Sala de Aula Invertida + qualquer zona FCL. São incompatíveis: a primeira desloca a exposição para fora da aula e usa o tempo letivo para aplicação; as zonas FCL pressupõem uma organização própria dentro da aula. Escolha uma.
  • Zona FCL + outra metodologia ativa (ABP, gamificação, cooperativa…). Cada zona FCL já traz a sua metodologia. Sobrepor metodologias produz um pedido contraditório — e o modelo acaba por escolher uma delas ao acaso, sem o dizer.

Bloco 1 — Metodologias ativas

ABP, Aprendizagem Baseada em Problemas, Sala de Aula Invertida, Gamificação, Aprendizagem Cooperativa, Design Thinking.

Bloco 2 — Future Classroom Lab (FCL)

Seis zonas de aprendizagem: Investigar, Criar, Apresentar, Interagir, Trocar, Desenvolver.

Bloco 3 — Competências do Século XXI

Criatividade, Pensamento Crítico, Comunicação, Colaboração, Literacia Digital (DigComp), Empreendedorismo (EntreComp).

  • Criatividade e Inovação — geração de ideias originais, pensamento divergente.
  • Pensamento Crítico — análise, avaliação de evidências, argumentação fundamentada.
  • Comunicação — expressar ideias com clareza, adaptar ao público, usar múltiplos formatos.
  • Colaboração — trabalhar em equipa, escutar, negociar, gerir conflitos.

(Aprofundamento detalhado de cada competência na secção «Metodologias em detalhe».)

Bloco 4 — Standards e frameworks

OCDE 2030, Taxonomia de Bloom, STEAM/Interdisciplinaridade.

→ Saltar para «Metodologias em detalhe»

23. Secção «Tarefa»: o que vai produzir

34 opções organizadas em seis grupos. Os dois primeiros correspondem às duas funções mais frequentes — planificar e avaliar — e por isso encabeçam a lista:

  • Planificação (4 opções);
  • Avaliar e monitorizar (8 opções) — reúne as rubricas, grelhas de observação e de registo, fichas de avaliação e fichas adaptadas ao Art.º 28, geração de questões por dificuldade e por níveis cognitivos, feedback escrito, relatórios de progresso e planos de recuperação. (Antes, estas opções estavam repartidas por dois grupos — «Avaliação» e «Feedback e Acompanhamento» — o que dificultava encontrá-las.);
  • Diferenciação e Adaptação (5 opções);
  • Fichas e Exercícios (5 opções);
  • Recursos Pedagógicos (4 opções);
  • Pedagogia Inovadora (8 opções).

O antigo grupo «Feedback e Acompanhamento» foi integrado em «Avaliar e monitorizar». Nenhuma opção foi removida.

Requisitos da metodologia (novo)

Oito das opções são metodologicamente exigentes: escape room, Design Thinking, STEAM, debate estruturado, projeto interdisciplinar, jogo didático, empreendedorismo e resolução de problemas. Escolhida uma destas, acontecem duas coisas:

  1. No ecrã — aparece uma caixa de dica ao docente, com os erros típicos daquela metodologia. Esta caixa não é copiada para a IA: é para si.
  2. No pedido — é acrescentado automaticamente um bloco REQUISITOS DA METODOLOGIA: que constrange o modelo. Pode vê-lo, e excluí-lo, na «anatomia do pedido».
Exemplo — o que o EduPrompt C4 exige num escape room
  • Entre 4 e 6 enigmas, e para cada um: a Aprendizagem Essencial que mobiliza, o conteúdo, a solução e a chave de passagem;
  • Sistema de pistas em três níveis (subtil → explícita → solução), para que nenhum grupo bloqueie;
  • Acessibilidade obrigatória: nenhum enigma pode depender exclusivamente de leitura sob pressão de tempo, de motricidade fina ou de discriminação de cor — e cada um tem de ter uma via alternativa de exigência cognitiva equivalente;
  • Como participam os alunos com medidas de suporte em cada etapa, como protagonistas e não como espectadores;
  • Critérios de sucesso e recolha de evidência: o jogo tem de deixar rasto avaliável;
  • Plano B se o tempo se esgotar, e guião de descodificação final.
⚠ Porque é que isto existe

Sem estes constrangimentos, um modelo de linguagem devolve, para um pedido de escape room, uma narrativa envolvente e pedagogicamente vazia: enigmas que não avaliam nada, sem pistas, e que excluem quem lê devagar ou tem dificuldades motoras. O bloco de requisitos força o alinhamento curricular e a acessibilidade à partida — que é, exatamente, a lógica do DUA aplicada à própria prompt.

⚠ Limites do que se cola no Conteúdo
  • Não cole textos extensos protegidos por direitos de autor;
  • Não cole produções de alunos identificáveis;
  • Não cole RTP, PEI, conteúdos de saúde.

24. Secção «Formato de Saída»

Quatro campos:

  • Formato: 11 opções (texto corrido, lista, tabela, ficha, grelha, rubrica, guião, esquema, slides, flashcards);
  • Tom: 4 registos (profissional/claro, formal/técnico, acessível/simples, objetivo/direto);
  • Extensão: 5 escalões (de muito curto a extenso);
  • Notação matemática e científica: 4 opções — ver abaixo.

Notação matemática e científica (Matemática, Física e Química, Ciências)

Os modelos de linguagem devolvem, por defeito, as fórmulas em LaTeX ($6{,}02 \times 10^{23}$) ou em markdown. Ao colar no Word, isso desformata-se e aparece como código. É a causa da queixa mais frequente nas disciplinas de Matemática e de Físico-Química — e não é um defeito do professor nem da ferramenta: é uma opção por omissão dos modelos, que se corrige instruindo-os.

  • Unicode — pronto a colar no Word (recomendado): proíbe explicitamente o LaTeX e os delimitadores $…$, e impõe carateres Unicode (× ÷ ± ≈ ≤ ≥ → ⇌ ° Δ π), expoentes e índices reais (6,02 × 10²³, H₂O, m·s⁻²), unidades SI com espaço (25 °C, 3,5 kg) e — importante — vírgula decimal portuguesa, que os modelos tendem a substituir por ponto;
  • MathML / Equação do Word: devolve as fórmulas em MathML, coláveis no Word como equação editável;
  • LaTeX: para quem usa editores compatíveis (Overleaf, Obsidian, Notion);
  • Não especificado: deixa o modelo decidir (comportamento anterior).
✓ Se vai colar no Word, escolha «Unicode»

A vírgula decimal, só por si, evita um erro de convenção em todos os materiais de Matemática e de Ciências. Verifique sempre o resultado: a instrução reduz muito o problema, mas não substitui a leitura humana.

25. Secção «Otimização da Prompt»

Técnicas básicas

  • Pensa passo a passo — útil em problemas complexos;
  • Apresenta alternativas — 2-3 variantes para escolher;
  • Justifica as escolhas — explicação pedagógica;
  • Faz perguntas de clarificação — em vez de inventar;
  • Rigor factual (não inventar dados) — instrui o modelo a não inventar factos, citações ou referências e a assinalar o que é incerto. Resposta direta às imprecisões reportadas por utilizadores;
  • Materiais visuais em português — garante que o texto presente em imagens, esquemas, diagramas e legendas é gerado em português europeu, evitando materiais com texto em inglês.

Verbalized Sampling

Anteriormente designada nesta ferramenta por «Verbalized Learning». Técnica avançada de amostragem diversificada, introduzida em 2025 por uma equipa de investigação que inclui investigadores da Universidade de Stanford. Foi concebida para atenuar o mode collapse — a tendência dos modelos de linguagem para devolverem sempre a resposta «mais típica» — pedindo ao modelo uma amostra de várias respostas distintas, cada uma com a sua probabilidade:

  • K (3-8): número de alternativas a gerar;
  • Probabilidade verbalizada: para cada alternativa, o modelo estima a probabilidade de ser a sua resposta por defeito, privilegiando a diversidade real;
  • Perfil de avaliação: Analítico, Pedagógico, Criativo, Minimalista;
  • Apresentação: apenas a melhor ou todas com scores.
🔗 Referência

STORM — questionamento multi-perspetiva

O STORM é um método desenvolvido na Universidade de Stanford para produzir conteúdos completos e bem fundamentados. A ideia central é simples: antes de escrever, vale a pena perguntar de vários ângulos diferentes. Em vez de partir diretamente para o material, o modelo assume sucessivamente várias perspetivas — cada uma com as suas preocupações próprias — e dessas perspetivas levanta perguntas que tornam o recurso mais rigoroso, mais inclusivo e menos enviesado.

No EduPrompt C4, o STORM foi adaptado ao contexto pedagógico português e funciona em dois modos, à escolha do docente:

  • Modo Ligeiro: a IA levanta as perguntas das várias perspetivas e para, à espera das suas respostas antes de produzir o material. Dá-lhe controlo total sobre o resultado. Caso não responda a alguma pergunta, o modelo assume um pressuposto razoável e assinala-o;
  • Modo Completo: a IA percorre todo o processo de uma vez — formula as perguntas, responde-lhes com base num contexto plausível (assinalando os pressupostos), organiza um esquema (outline) e desenvolve o material final. Útil quando se pretende rapidez e um recurso rico de partida.

As perspetivas são selecionáveis, para ajustar o questionamento à situação:

  • Especialista da disciplina — rigor científico e ligação às Aprendizagens Essenciais;
  • Professor inclusivo (DL 54/2018) — acessibilidade universal (DUA) e adequação às medidas de suporte;
  • Aluno com dificuldades / NEE — clareza das instruções, carga cognitiva e pontos de possível frustração;
  • Aluno curioso / altas capacidades — desafio, aprofundamento e ligações interdisciplinares;
  • Avaliador — alinhamento entre objetivos, atividades e critérios;
  • Encarregado de educação — compreensibilidade do propósito e articulação escola-família.

A profundidade (2 a 5 perguntas por perspetiva) regula a extensão do questionamento. O STORM e o Verbalized Sampling são mutuamente exclusivos: como ambos alteram o processo de resposta do modelo, ativar um desativa automaticamente o outro, mantendo a prompt coerente.

🔗 Referências primárias

26-27. Exemplos pré-configurados, saídas e integrações

O EduPrompt C4 inclui 59 exemplos pré-configurados, agrupados por departamento para que cada docente encontre rapidamente os do seu contexto: Pré-escolar (5), 1.º Ciclo (10), Expressões (8), Línguas (9), Matemática e Ciências Experimentais (8), Ciências Sociais e Humanas (3), Secundário (9), Ensino Profissional (3) e Educação Especial (4).

Os grupos Expressões (Educação Visual, Educação Física, Educação Musical, Educação Tecnológica e um DAC que as articula), Secundário e Ensino Profissional (incluindo uma UFCD) são novos na versão 4.3. Vários exemplos estão ancorados em contextos reais de Domínios de Autonomia Curricular, pelo que servem de ponto de partida imediato e não apenas de demonstração.

Carregar um exemplo limpa integralmente o formulário antes de o preencher — não há herança de seleções do exemplo anterior

Saídas disponíveis

  • Copiar para clipboard;
  • Gravar localmente (nome automático Disciplina_Ano_Tarefa_Data.txt);
  • Imprimir / PDF e Copiar com variações (ver Parte III-A);
  • Abertura direta: ChatGPT, Copilot, Gemini, Claude;
  • Plataformas educativas: Microsoft 365, Google Classroom.
🔗 Plataformas de IA

27-A. Articulação com os procedimentos formais da escola

O EduPrompt C4 apoia a conceção de materiais, mas não substitui o circuito formal de identificação e mobilização de medidas de suporte. As medidas que o utilizador seleciona na ferramenta só devem ser aplicadas a um aluno concreto quando já foram formalmente decididas pela escola. O circuito previsto no Decreto-Lei n.º 54/2018 é, em síntese, o seguinte:

  1. Identificação (Art.º 20.º): qualquer interveniente no processo educativo (docente, encarregado de educação, técnico, o próprio aluno) comunica ao diretor a eventual necessidade de medidas de suporte. O diretor solicita à EMAEI a análise da situação.
  2. Análise pela EMAEI (Art.º 12.º): a Equipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva analisa as evidências e decide. Se conclui que bastam medidas universais, devolve o processo sem elaborar relatório.
  3. Relatório Técnico-Pedagógico — RTP (Art.º 21.º): se forem necessárias medidas seletivas ou adicionais, a EMAEI elabora o RTP, no prazo de 30 dias úteis. O RTP identifica os fatores que facilitam e dificultam a aprendizagem, as medidas a mobilizar, a sua operacionalização (objetivos, metas, indicadores), os responsáveis e os momentos de avaliação da eficácia. É submetido à concordância dos pais e homologado pelo diretor.
  4. Programa Educativo Individual — PEI: elaborado apenas quando o aluno necessita de adaptações curriculares significativas (medida adicional). O PEI integra-se no RTP e contém as competências e aprendizagens a desenvolver e as estratégias de ensino e avaliação.
  5. Plano Individual de Transição — PIT: complementa o PEI nos três anos anteriores ao fim da escolaridade obrigatória, sempre que estejam em causa adaptações curriculares significativas, preparando a transição para a vida pós-escolar.
✔ Como usar isto na prática

Ao preparar materiais para um aluno com medidas seletivas ou adicionais, abra o respetivo RTP/PEI e use-o para preencher o campo «Conteúdo/tema»: indique as medidas já homologadas, os objetivos definidos e o perfil do aluno. Assim a IA gera materiais coerentes com o que foi formalmente decidido, e não com base em pressupostos genéricos.

🔗 Procedimentos e modelos

27-B. Adaptações Curriculares: ACNS e ACS

O termo «adequações curriculares» pertencia ao anterior Decreto-Lei n.º 3/2008, já revogado. O Decreto-Lei n.º 54/2018 usa a designação adaptações curriculares e distingue dois tipos, que não devem ser confundidos:

Adaptações Curriculares Não Significativas (ACNS) — medida seletiva

Não comprometem as aprendizagens essenciais previstas para o ano de escolaridade. O aluno trabalha o mesmo currículo, mas com ajustes na forma de acesso, na metodologia ou nos instrumentos. Exemplos práticos:

  • Reduzir o número de itens de uma ficha sem reduzir os conteúdos avaliados;
  • Apresentar enunciados com frases curtas, vocabulário controlado e um só comando por questão;
  • Disponibilizar um glossário dos termos técnicos ou um quadro-resumo de apoio;
  • Aceitar resposta oral ou em esquema quando o objetivo não é avaliar a escrita;
  • Destacar visualmente a informação-chave (negrito, caixas, código de cores).

Adaptações Curriculares Significativas (ACS) — medida adicional

Alteram as aprendizagens essenciais do ano de escolaridade, substituindo-as por aprendizagens definidas no PEI, ajustadas ao perfil do aluno. Implicam sempre a elaboração de um PEI. Exemplos práticos:

  • Substituir o objetivo «resolver equações do 1.º grau» por «usar a adição e a subtração em situações funcionais do quotidiano»;
  • Definir, em vez do programa da disciplina, competências de autonomia pessoal e social (gerir a rotina, fazer compras simples, usar transportes);
  • Trabalhar vocabulário funcional (alimentação, higiene, segurança) em lugar dos conteúdos disciplinares previstos.

Parte III-A — Produtividade e ecossistema

Esta parte reúne as funcionalidades que aceleram o trabalho do dia a dia: ajustar o nível de complexidade da interface, guardar e organizar configurações em coleções pessoais, partilhá-las entre colegas, gerar rapidamente alternativas ao recurso e imprimir ou exportar em PDF. Termina com a integração entre o EduPrompt C4 e o Repositório de prompts, que fecha o ciclo de reutilização.

Detalhe do formulário: níveis Básico, Intermédio e Total

Para que a ferramenta seja simples para quem está a começar e completa para quem quer tudo, o EduPrompt C4 oferece três níveis, escolhidos no painel «⚙ Aspeto», na secção Detalhe do formulário. A escolha fica guardada neste navegador.

O nível governa duas coisas ao mesmo tempo: as funcionalidades disponíveis e o número de secções visíveis no formulário. Em Básico, o formulário reduz-se de 14 para 6 secções — passa de cerca de 140 controlos para pouco mais de uma dezena.

Os três níveis

  • Básico (ativo por defeito na primeira utilização) — mostra apenas o essencial: Contexto · Planificação Temporal · Tarefa · Medidas Universais · DUA · Formato de Saída. Oculta os modelos, as exportações e o Perfil do Agrupamento.
  • Intermédio — acrescenta PASEO · Medidas Seletivas · Medidas Adicionais · Adaptações de Avaliação (Art.º 28) · PLNM, além das coleções de modelos e das funções de exportar/importar.
  • Total — mostra tudo, incluindo Abordagens Pedagógicas · Perfil do Agrupamento · Otimização da Prompt.
✓ Nunca há conteúdo escondido a alimentar o pedido

Uma secção acima do nível escolhido só é ocultada se estiver vazia. Se tiver conteúdo — porque carregou um exemplo que a preenche, ou porque a preencheu num nível superior — ela reaparece automaticamente, mesmo em Básico. Assim, nada entra no pedido enviado à IA sem que o veja no ecrã.

Modo Personalizado

Por baixo dos três níveis, a opção «Personalizar…» abre interruptores individuais para ligar ou desligar cada conjunto — Modelos, Exportar/Importar/Texto e Perfil do Agrupamento — de forma independente. Ao mexer nestes interruptores, o nível passa automaticamente a «Personalizado».

Sugestão. Comece no nível Básico e suba para Intermédio ou Total à medida que precisar de guardar configurações ou de definir o contexto do agrupamento. Pode voltar a simplificar a qualquer momento.

Coleções pessoais: os meus modelos

Sempre que monta uma configuração — disciplina, ano, áreas e valores do PASEO, medidas do DL 54/2018, objetivos, tarefa e formato — pode guardá-la como modelo para reutilizar mais tarde num clique. É especialmente útil para quem leciona várias disciplinas ou anos e repete enquadramentos com frequência.

Como guardar

Na barra «⭐ Os meus modelos» (visível nos níveis Intermédio e Total), clique em «💾 Guardar atual». Abre-se um pequeno formulário onde indica a pasta (por exemplo «Matemática 8.º»; deixar vazio coloca o modelo em «Sem pasta») e o nome do modelo. A pasta sugerida é, por defeito, a disciplina e o ano já selecionados. Este formulário funciona em qualquer dispositivo, incluindo telemóvel.

Coleções por pastas

Os modelos aparecem no menu agrupados por pasta, e cada entrada mostra o caminho completo no formato Pasta › Nome. As pastas nascem simplesmente por se escrever um nome ao guardar e desaparecem quando deixam de ter modelos — não há gestão de pastas em separado. Para usar um modelo, basta selecioná-lo: o formulário é preenchido e a prompt regenerada.

Eliminar

Com um modelo selecionado, o botão «🗑️ Eliminar» remove-o após confirmação.

Onde ficam guardados? Os modelos são guardados apenas neste dispositivo e navegador (armazenamento local). Não são enviados para nenhum servidor. Por isso não passam automaticamente para outro computador — para isso existem o «Exportar» e o «Importar», descritos a seguir.

Exportar, importar e partilhar entre docentes

Como os modelos são locais, o EduPrompt C4 permite movê-los entre dispositivos e partilhá-los com colegas de duas formas: por ficheiro ou por texto (copiar/colar). Estas opções aparecem nos níveis Intermédio e Total.

Para o quadro comparativo das quatro formas de partilha — Arquivo, modelos por ficheiro, modelos por texto e prompt em .txt — e para a distinção entre prompt e modelo, veja a Parte III-C.

Exportar (ficheiro)

O botão «⬇️ Exportar» gera um ficheiro eduprompt-modelos.json com todas as suas coleções e modelos. Pode guardá-lo, colocá-lo numa pen ou na nuvem da escola, ou enviá-lo a um colega.

Importar (ficheiro)

O botão «⬆️ Importar» lê um ficheiro exportado e junta os modelos aos que já tem: acrescenta os novos e atualiza os que tiverem nome igual. Não apaga o que já existe, pelo que a importação é segura.

Partilhar por texto (ideal para telemóvel)

Em telemóvel nem sempre é fácil localizar o ficheiro exportado. Por isso existe o botão «📝 Texto»: abre uma janela com todo o conteúdo em texto. No dispositivo de origem, clique em «📋 Copiar» e cole o texto onde for cómodo (Notas, Mensagens, email para si próprio). No outro dispositivo, abra a mesma janela «📝 Texto», apague o que estiver, cole o texto copiado e clique em «✓ Aplicar texto colado». Os modelos juntam-se aos existentes, tal como na importação por ficheiro.

Trabalho colaborativo no grupo disciplinar

Qualquer destas vias permite que um grupo disciplinar construa um conjunto comum de modelos (por ano e tipo de tarefa) e o distribua a todos os docentes, garantindo coerência de critérios sem necessidade de plataformas ou contas.

Privacidade. Os modelos guardam apenas opções pedagógicas (disciplina, ano, medidas, formato, etc.). Mantenha o princípio de nunca incluir nomes ou dados pessoais de alunos nos campos de texto — assim os ficheiros e textos partilhados ficam isentos de dados pessoais.

Perfil do Agrupamento e enquadramento institucional

No nível Total (ou ativando-o no modo Personalizado), surge a secção «🏫 Perfil do Agrupamento/Escola». Serve para dar à IA o contexto estável da sua escola, de modo a que os recursos fiquem mais alinhados com os documentos estruturantes.

O que preencher

São campos curtos e opcionais: nome do agrupamento, prioridades do Projeto Educativo, eixos do Plano Anual de Atividades, regras-chave do Regulamento Interno e valores/lema. Preenche-se uma vez; fica guardado neste dispositivo e é reposto automaticamente. Quando a opção «Incluir o perfil nos prompts» está ativa, este contexto é acrescentado a cada pedido.

Documentos extensos (planificações, PE completo)

Os documentos longos não devem ser colados no perfil. Em vez disso, junto ao conteúdo da tarefa existe a opção «📎 Vou anexar documentos no assistente». Quando marcada, o pedido instrui a IA a ter em conta os ficheiros que anexar diretamente no assistente (por exemplo, a planificação) e a alinhar o recurso com eles. O NotebookLM é particularmente indicado para trabalhar sobre documentos carregados.

Partilhar o perfil

Tal como os modelos, o perfil pode ser partilhado por ficheiro (Exportar/Importar) ou por texto («📝 Texto»). Assim, um agrupamento pode preencher o perfil uma vez e distribuí-lo a todos os docentes.

Atenção. O perfil deve conter apenas orientações pedagógicas e institucionais de caráter público. Não inclua dados pessoais de alunos nem documentos confidenciais. Mantenha os textos curtos (1 a 2 linhas por campo); para detalhe extenso, use a opção de anexar documentos.

Criação facilitada de alternativas à prompt

Junto à prompt gerada, o botão «🔀 Copiar c/ variações» copia o pedido já acompanhado de uma instrução para a IA produzir três versões do mesmo recurso com graus de dificuldade diferentes — apoio/mais acessível, intermédio e desafio/aprofundamento — mantendo o mesmo objetivo de aprendizagem e indicando para que aluno cada versão é mais adequada.

É uma forma rápida de obter material diferenciado num único pedido, particularmente alinhada com a diferenciação pedagógica prevista no DL 54/2018 e com a gestão de turmas heterogéneas. Depois de copiar, basta colar no assistente de IA habitual.

Imprimir e exportar em PDF

O botão «🖨️ Imprimir / PDF» abre uma página formatada com um cabeçalho (disciplina, ano, tarefa e data) seguido do pedido a enviar à IA e do aviso de segurança. A partir daí pode imprimir ou, no diálogo de impressão do navegador, escolher «Guardar como PDF».

É útil para anexar a uma planificação, arquivar no dossier ou partilhar em reunião de grupo. Na primeira utilização, o navegador pode pedir autorização para abrir a janela de impressão.

Integração com o Repositório de prompts

O EduPrompt C4 integra-se com o Arquivo — um repositório público e aberto, alimentado por toda a comunidade de utilizadores da ferramenta (e não apenas pelo Agrupamento, nem apenas por escolas portuguesas). Permite filtrar por disciplina, ano, modalidade, áreas do PASEO e medidas do DL 54/2018. Esta ligação fecha o ciclo de reutilização do ecossistema.

→ Tratamento completo na Parte III-C

O Arquivo tem uma parte dedicada: o que é e como as prompts lá chegam · pesquisar · reutilizar («Abrir e adaptar») · as quatro formas de partilha · proteção de dados.

Reabrir no EduPrompt C4

A partir de um registo do Repositório, a opção «Reabrir no EduPrompt C4» abre a ferramenta com os campos já pré-preenchidos (disciplina, ano, tarefa, conteúdo, formato, áreas e valores do PASEO e medidas de suporte que sejam reconhecidos). O docente pode então ajustar o que precisar e gerar uma nova prompt, em vez de recomeçar do zero. Quando a ferramenta é aberta desta forma, os parâmetros recebidos têm prioridade sobre o rascunho automático.

O ciclo completo

  • Criar no EduPrompt C4 e enviar à IA;
  • Registar — o pedido é arquivado automaticamente no Arquivo assim que o copia ou o envia a uma IA (ver Parte III-C);
  • Reutilizar mais tarde — reabrindo um registo do Repositório, ou carregando um modelo das suas coleções pessoais;
  • Partilhar os modelos com colegas por exportação/importação.
🔗 Ecossistema

Que ferramenta de IA usar: capacidades, limites e estratégias

A prompt que o EduPrompt C4 gera é neutra de propósito: serve qualquer assistente de IA. O que muda de ferramenta para ferramenta — e, sobretudo, de licença para licença — é o que cada uma consegue fazer com essa prompt. Este capítulo ajuda a escolher e a tirar partido de cada uma. Princípio orientador: pensar por capacidades (gera imagem? raciocina? trabalha ancorado em fontes? que limites?), e não por marca, porque os modelos e os planos mudam de mês para mês.

Os planos gratuitos: a «janela boa» e os limites

Em vários assistentes, as primeiras mensagens correm no melhor modelo e, atingido um limite, a qualidade desce ou o acesso fica travado durante algumas horas. No ChatGPT gratuito, por exemplo, ao fim de cerca de dez mensagens num período de horas as conversas passam automaticamente para uma versão «mini» do modelo até o limite reiniciar — parece que a IA piorou, mas o que mudou foi o modelo. No Gemini e no Claude há lógica semelhante de limites por janelas de tempo. Conclusão prática: a primeira mensagem é preciosa.

Estratégias transversais (independentes da ferramenta)

  • Gaste a melhor mensagem na tarefa mais exigente, não em conversa de aquecimento.
  • Resolva numa jogada. O EduPrompt C4 já entrega tudo num pedido estruturado; cole-o e peça o resultado completo, em vez de ir construindo por tentativas — a iteração é o que esgota a quota.
  • Parta o que é grande. Numa planificação anual, peça primeiro o plano do ano e só depois os recursos por período ou aula (o EduPrompt C4 já subordina a aula ao plano).
  • Reserve as técnicas pesadas. O Verbalized Sampling e o STORM consomem muitos tokens e mensagens; use-os na «janela boa» ou num pedido único e, em planos curtos, mantenha a prompt enxuta.
  • Confirme o conteúdo sensível. Os modelos podem inventar formulações de Aprendizagens Essenciais ou referências legais; verifique contra as fontes oficiais (a própria prompt já o pede no bloco «Entrega e verificação»).
  • Mantenha o português europeu. A prompt já o pede; se a resposta derivar para português do Brasil, reforce o pedido.

Mapa por capacidade

Comparação ao nível das capacidades. As células indicam o comportamento típico no plano de entrada (gratuito ou básico) de cada ferramenta; os planos pagos costumam levantar limites e acrescentar funcionalidades.

FerramentaGera imagemAncorado em fontesIntegra appsNotas (plano de entrada)
ChatGPTSimNãoNãoModelo recente com limite de mensagens; ao esgotá-lo, cai para uma versão «mini». Aceita ficheiros e imagens e tem memória. Raciocínio aprofundado sobretudo no plano pago.
Copilot (pessoal)SimNãoSó na versão ProChat ancorado na web; gera imagem; a integração nas apps Office é da versão Copilot Pro.
Copilot 365 (A1 / Basic)SimNãoNão (Basic)Copilot Chat com proteção de dados (escudo verde) — adequado ao contexto escolar; acesso padrão a ficheiros, imagem e modelos recentes; sem integração nas apps nem acesso aos dados do agrupamento (exigem licença paga). O que está ativo varia com a configuração do agrupamento.
GeminiSim (generoso)Não (Deep Research no pago)Workspace no pagoModelo «Flash» no gratuito; aceita ficheiros (com limites de tamanho); pesquisa na web; janela de contexto pequena no gratuito e muito maior no pago; memória entre conversas no pago.
ClaudeNão (só analisa)Projetos (anexar ficheiros)Exporta Word/Excel/PPT/PDFModelo «Sonnet» no gratuito (o «Opus» é pago); inclui Projetos, anexos, memória e criação de ficheiros Office já no plano gratuito; não gera imagens. Limites por janelas de tempo.
NotebookLMNãoSim (é o que faz)Gera resumos, áudio e vídeoResponde apenas a partir das fontes que carrega, com citações; corre sobre o Gemini. Plano gratuito amplo (cerca de 50 fontes por notebook e 50 perguntas/dia). Os PDF têm de ter camada de texto.

Copilot 365 (licença A1 / Basic), em concreto

Na licença educativa A1, o que existe é o Copilot Chat (Basic). É um chat ancorado na web, com proteção de dados (assinalada pelo escudo verde) — importante para o contexto escolar e alinhado com a promessa de não recolha de dados de alunos. Aceita ficheiros e gera imagem em acesso padrão (sujeito à disponibilidade do serviço), com modelos recentes.

O que não traz, sem a licença paga Microsoft 365 Copilot: a integração dentro do Word, Excel, PowerPoint e Teams (edição assistida nas apps) e o acesso aos dados do agrupamento (ficheiros, e-mails, reuniões). Implicação prática: não espere um documento Office já formatado — peça o texto, as tabelas e as rubricas e faça a formatação final nas apps. O que está disponível pode variar com a configuração do agrupamento.

NotebookLM: usar a prompt em PDF como fonte

O NotebookLM é diferente dos restantes: não inventa a partir de um treino geral — responde ancorado nas fontes que carrega, com citações. Isto torna-o ideal para trabalhar a partir do material do professor e do enquadramento legal. Fluxo recomendado:

  1. Gere a prompt no EduPrompt C4.
  2. Exporte-a em PDF (botão «🖨️ Imprimir / PDF»).
  3. No NotebookLM, crie um notebook e carregue como fontes o PDF da prompt e o recurso do professor (manual, Aprendizagens Essenciais, textos).
  4. Peça a geração. Assim, o enquadramento — DL 54/2018, medidas, Art.º 28, DUA, perfil da turma — entra como contexto ancorado, e não como mensagem volátil que se perde.

Boas práticas e limites: poucas fontes bem escolhidas (cerca de três a dez) dão melhor qualidade do que muitas; pode ativar ou desativar fontes por pergunta; o PDF tem de ter camada de texto (o «Imprimir / PDF» do EduPrompt C4 gera texto, não imagem — serve; PDF digitalizados ou protegidos falham). Como em qualquer ferramenta, não inclua dados pessoais de alunos; os ficheiros são processados nos servidores da Google.

Imagens, privacidade e língua

  • Imagens. A geração de imagem funciona no ChatGPT, no Gemini e no Copilot; não funciona no Claude nem no NotebookLM. Se o destino não gera imagem, peça uma descrição/orientação visual e crie a imagem à parte.
  • Privacidade. Mantenha o princípio de zero dados pessoais de alunos em qualquer ferramenta — perfis de turma agregados, sem nomes. A prompt do EduPrompt C4 já é construída nesse espírito.
  • Língua. Para disciplinas de língua estrangeira, a prompt já pede o conteúdo dos alunos na língua de ensino e o resto em português; confirme que a resposta respeita isto.

Qual escolher para quê

  • Criar um recurso do zero (ficha, plano, guião): ChatGPT, Gemini ou Copilot.
  • Trabalhar ancorado num manual ou nas Aprendizagens Essenciais: NotebookLM (com a prompt em PDF como fonte).
  • Dentro do ecossistema do agrupamento, com dados protegidos: Copilot 365.
  • Texto cuidado, análise de documentos e exportação para Office sem gerar imagem: Claude.
  • Materiais com imagens: ChatGPT, Gemini ou Copilot.
Nota de validade. Os planos, os modelos e os limites destas ferramentas mudam com frequência. Esta secção foi revista em junho de 2026; confirme sempre os detalhes nas páginas oficiais de cada serviço antes de decidir.

Parte III-C — O Arquivo: pesquisar, reaproveitar e partilhar

O EduPrompt C4 não é uma ferramenta isolada: é um ecossistema de três peças. O gerador (que constrói o pedido), o Arquivo (o repositório público, onde os pedidos ficam pesquisáveis e reutilizáveis por qualquer pessoa) e os modelos pessoais (as suas configurações, guardadas e partilháveis). Esta parte trata das duas últimas — e, sobretudo, de como não começar do zero.

O Arquivo: um repositório público e aberto

O EduPrompt · Arquivo reúne as prompts pedagógicas efetivamente construídas com a ferramenta — não exemplos inventados, mas pedidos reais, feitos por docentes reais para turmas reais. Acede-se pelo botão «🗂️ Repositório», no cabeçalho do gerador, ou diretamente pelo endereço público.

⚠ O Arquivo é público, e à escala mundial

Isto é o mais importante desta Parte, e convém não haver equívocos:

  • Não é do Agrupamento. É alimentado pelos contributos de toda a comunidade de utilizadores do EduPrompt, onde quer que estejam;
  • Não exige autenticação. É uma página aberta: qualquer pessoa com o endereço entra e lê;
  • Não é exclusivo do sistema educativo português, nem das escolas públicas. Um professor de uma escola privada em Lisboa, um docente brasileiro, um investigador em Espanha — qualquer um pode consultar, pesquisar e reutilizar;
  • O conteúdo dos prompts é da responsabilidade dos respetivos autores. A ferramenta e o conteúdo estão sob licença MIT e CC BY-NC-SA.

Daqui decorrem duas coisas: uma oportunidade (o Arquivo é um bem comum, e cresce com todos) e uma obrigação (tudo o que escrever fica visível para o mundo — ver o capítulo Proteção de dados, que passa a ser leitura obrigatória e não uma formalidade).

✓ Se está fora do sistema educativo português

As prompts do Arquivo estão ancoradas na legislação portuguesa — Decreto-Lei n.º 54/2018 (medidas universais, seletivas e adicionais), PASEO e Aprendizagens Essenciais. Mas o que viaja não é a legislação: é a estrutura. A lógica de desenho universal → barreiras funcionais → múltiplas vias de acesso → avaliação adaptada é a mesma em qualquer sistema. Substitua as referências legais pelas do seu país — IEP, SEN, PDI, Nachteilsausgleich, o que for — e o andaime mantém-se de pé.

Como as prompts lá chegam — e o que isso implica

Não existe um botão «submeter». O registo é automático: a prompt entra no Arquivo sempre que, no gerador, faz uma destas cinco coisas.

  • Copiar a prompt;
  • Guardar a prompt em ficheiro;
  • Abrir um assistente de IA (ChatGPT, Copilot, Gemini, Claude, NotebookLM);
  • Abrir uma plataforma educativa (Microsoft 365, Google Classroom);
  • Copiar as variações da prompt.

O que fica registado, e o que não fica

  • Fica: o texto integral da prompt — contexto, tarefa, conteúdo, medidas, DUA, PASEO, formato;
  • Não fica: o seu nome, a sua conta, o seu endereço. O Arquivo é anónimo quanto ao autor: não há atribuição, nem ranking, nem contagem por professor;
  • Não fica: a resposta da IA. O Arquivo guarda pedidos, não resultados.

O identificador

Cada registo tem um identificador único: EP-AAMMDD-HHMMSS-código — por exemplo, EP-260712-010629-1GS. Codifica a data e a hora de submissão. Serve para citar uma prompt num email, numa reunião de departamento ou numa ata: em vez de a descrever, dá-se o identificador, e o colega cola-o na caixa de pesquisa e chega lá. Clique no identificador para o copiar.

«repetida ×N»

Quando a mesma prompt é submetida várias vezes — porque a copiou, a enviou ao Copilot e depois gerou variações —, o Arquivo mostra-a uma só vez, com a etiqueta repetida ×N. Não é um erro: é a contagem de submissões. E é um sinal útil: uma prompt muito repetida é, tipicamente, uma prompt que funcionou.

Pesquisar o que já existe — antes de criar seja o que for

✓ A regra que muda tudo

Pesquise antes de construir. A queixa mais comum de quem usa a ferramenta pela primeira vez é «não sei por onde começar» — e a resposta está aqui: não comece. Parta do que já existe. Adaptar uma prompt que já funcionou leva dois minutos; construir do zero leva vinte. E o resultado costuma ser melhor, porque incorpora o trabalho de quem já lá passou.

Os quatro filtros da barra principal

1 · Caixa de pesquisa — procura no texto integral da prompt e no identificador. Escreva o que quiser: um tema («fotossíntese», «frações», «Camões»), uma medida («CAA», «adaptações significativas»), uma metodologia («escape room»), ou cole um EP-… para ir direto a um registo.

2 · Disciplina — seletor pesquisável. Não percorra a lista: escreva as primeiras letras e ela filtra-se sozinha. Escreva «edu» e aparecem Educação Visual, Educação Física, Educação Musical, Educação Tecnológica; escreva «est» e aparece Estudo do Meio. Pode selecionar várias disciplinas em simultâneo — útil para um DAC ou para ver o que se fez em todo um departamento.

3 · Ano — seleção múltipla, do Pré-escolar ao 12.º ano. O Pré-escolar é uma opção como as outras: quem é educador de infância filtra por «Pré-escolar» e vê apenas o que lhe diz respeito.

4 · OrdenaçãoMais recentes primeiro (por defeito), Mais antigos primeiro, Disciplina (A→Z) ou Ano de escolaridade. E, ao lado, quantos registos ver por página.

Os filtros avançados — «+ Mais filtros»

FiltroOpçõesPara que serve
Modalidade Regular · Pré-escolar · Educação Especial · Ensino Profissional Separa contextos que, de outro modo, se misturam. Um docente de Educação Especial filtra por «Educação Especial» e encontra prompts pensadas para adaptações curriculares significativas e CAA — e não fichas de exercícios do regular.
Áreas do PASEO As dez áreas de competências Encontra prompts que trabalham a competência que procura — «Pensamento crítico e criativo», «Relacionamento interpessoal» — independentemente da disciplina.
Medidas do DL 54 Universais · Seletivas · Adicionais e respetivas medidas O filtro mais valioso do Arquivo — ver abaixo.
Datas Intervalo de submissão Ver o que se fez neste período, ou durante uma formação específica.
✓ O filtro das medidas do DL 54 é o que distingue este repositório de qualquer outro

Permite a pergunta que realmente interessa a quem tem uma turma difícil, e que nenhum banco de recursos convencional responde:

  • «O que é que já foi feito para alunos com CAA
  • «Quem já trabalhou adaptações curriculares significativas em Matemática?»
  • «Que prompts existem com tecnologias de apoio no 1.º ciclo?»

Se está a preparar material para um aluno com um perfil que nunca enfrentou, este é o primeiro sítio onde olhar.

Quatro pesquisas típicas, passo a passo

🧸 «Sou educadora de infância. O que existe para mim?»
  1. No seletor Ano, escolha Pré-escolar;
  2. (opcional) em «+ Mais filtros», Modalidade → Pré-escolar, para excluir registos de outros ciclos que mencionem o pré-escolar de passagem;
  3. Ordene por Mais recentes e percorra;
  4. Se procura algo específico — rotinas visuais, CAA, uma área de conteúdo —, escreva-o na caixa de pesquisa em cima do filtro.
🏃 «Sou de Educação Física do 3.º ciclo»
  1. No seletor Disciplina, escreva «edu» e escolha Educação Física;
  2. Em Ano, marque 7.º, 8.º e 9.º;
  3. Ordene por Disciplina (A→Z) se tiver selecionado várias.

Se não houver nada, isso também é informação — e é uma boa razão para ser você a primeira pessoa a lá pôr alguma coisa. As disciplinas de Expressões estão, tipicamente, sub-representadas.

♿ «Tenho um aluno com CAA e nunca trabalhei com isso»
  1. Abra «+ Mais filtros»;
  2. Em Medidas DL 54, marque Tecnologias de apoio e/ou Adaptações curriculares significativas;
  3. Não filtre por disciplina — nesta pesquisa, o que interessa é a estratégia, e ela transfere-se entre disciplinas;
  4. Complementarmente, escreva «CAA» ou «pictogramas» na caixa de pesquisa.
🔗 «Um colega mandou-me um identificador»

Cole o EP-260712-010629-1GS na caixa de pesquisa. Um resultado. É a forma mais rápida de partilhar uma prompt concreta — por email, no Teams, numa ata de departamento.

Estatísticas

O botão «Estatísticas» abre um painel com a distribuição dos resultados filtrados — por disciplina, ano, medidas. É uma leitura interessante à escala de um departamento ou de uma escola: mostra onde há trabalho feito e onde há vazio. Se Matemática tem oitenta prompts e Expressões tem três, isso diz alguma coisa — e não é sobre as Expressões.

Favoritos e exportação

  • ★ Favoritos — a estrela marca uma prompt. São locais: ficam neste navegador, neste dispositivo. Não se sincronizam nem se exportam. Mude de computador, e perde-os;
  • Exportar filtrados (máx. 20) — descarrega os resultados atuais em CSV. Útil para levar uma seleção a uma reunião de departamento, ou para arquivar o trabalho de um ano;
  • ✕ Limpar filtros / ✕ Limpar tudo — recomeça a pesquisa a qualquer momento.

Reaproveitar: os três caminhos

Encontrado o registo, o botão «Abrir e adaptar →» abre uma janela com o texto integral da prompt, já editável. A partir daqui há três caminhos — e escolher bem faz diferença.

Caminho A · Copiar e colar num modelo de IA (manual)

O botão «Copiar prompt» copia o texto — já com as suas edições — para a área de transferência. Cole-o (Ctrl+V / ⌘V) onde quiser: ChatGPT, Copilot, Gemini, Claude, Perplexity, Mistral, um modelo local, ou qualquer outro. Nada o prende às ferramentas listadas.

Use este caminho quando o seu assistente não está na lista, ou quando já o tem aberto num separador com uma conversa em curso que quer aproveitar.

Caminho B · Enviar diretamente a um assistente

Cinco botões, na janela: 🤖 ChatGPT · 🔷 Copilot · ✨ Gemini · 🟠 Claude · 📓 NotebookLM. Cada um copia a prompt e abre o assistente num separador novo — basta colar. Há ainda dois atalhos para plataformas: 🟦 Microsoft 365 e 🟩 Google Classroom.

⚠ Qual escolher
  • Copilot com a conta institucional (A1) — a opção mais segura em matéria de dados (Proteção de Dados Empresariais);
  • NotebookLM — só faz sentido se lhe der fontes (ver Passo 5). Colar-lhe uma prompt sem carregar ficheiros desperdiça aquilo em que ele é bom;
  • ChatGPT, Gemini, Claude — melhores na redação e na diferenciação, mas exigem verificação atenta dos factos.

Use este caminho quando quer resultado rápido a partir de uma prompt que já está boa e só precisa de pequenos ajustes de texto.

Caminho C · «↗ Reabrir no EduPrompt» — continuar a editar a estrutura

É o caminho mais poderoso, e o mais subutilizado. Em vez de lhe devolver texto, devolve-lhe a estrutura: abre o gerador com os campos já pré-preenchidos — disciplina, ano, tarefa, conteúdo, formato, áreas do PASEO e medidas de suporte que sejam reconhecidos.

A diferença é essencial. No Caminho A ou B, você edita parágrafos. Aqui, você mexe nas peças:

  • troca o ano — a mesma tarefa, do 7.º para o 8.º;
  • desmarca as medidas que a turma do colega tinha e marca as que a sua turma tem;
  • acrescenta os princípios do DUA, se ele não os tinha assinalado;
  • ativa a Notação: Unicode, se a disciplina tem fórmulas;
  • reduz as áreas do PASEO às que a sua atividade vai avaliar;
  • muda o formato de saída — de tabela para grelha, de ficha para rubrica;
  • e regenera.

Quando o gerador é aberto desta forma, os parâmetros recebidos têm prioridade sobre o rascunho automático — não perde nada do que estava a fazer por engano.

Use este caminho quando a prompt do colega é um bom ponto de partida pedagógico, mas o contexto é outro. Que é, na prática, quase sempre.

⚠ Adaptar não é copiar

Uma prompt do Arquivo foi escrita para outra turma — e, agora sabemos, possivelmente noutro país e noutro sistema. O tema pode servir; a caracterização da turma quase de certeza não serve. Antes de enviar, substitua o perfil pelo seu: as suas medidas, as suas barreiras, o que a sua monitorização diz. Reutilizar sem esse cuidado devolve um material que serve a turma do colega, e não a sua — e é assim que se ganha a impressão, errada, de que «a IA não percebe a minha turma».

Na janela existe ainda «↺ Repor original», que desfaz as suas edições ao texto, e «★ Favorito». E, no cabeçalho do Arquivo, «+ Novo prompt» abre o gerador em branco.

O ciclo completo, num exemplo

Uma professora de Ciências Naturais precisa de uma ficha diferenciada sobre ecossistemas para o 7.º ano. Tem 4 alunos com medidas seletivas e um com CAA.

  1. Não abre o gerador. Abre o Arquivo;
  2. Disciplina → Ciências Naturais. Ano → 7.º. Caixa de pesquisa → «ecossistemas». Três resultados;
  3. Nenhum contempla CAA. Muda de estratégia: limpa a disciplina, abre «+ Mais filtros» e marca Medidas DL 54 → Tecnologias de apoio. Aparecem prompts de Estudo do Meio e de Educação Especial — de outras disciplinas, mas com a estratégia que procura;
  4. Abre a melhor das três de Ciências Naturais com «Abrir e adaptar» e escolhe «↗ Reabrir no EduPrompt»;
  5. No gerador, o formulário já está preenchido. Ela acrescenta as medidas adicionais e as tecnologias de apoio, marca os três princípios do DUA, ativa a Notação: Unicode, e reescreve o perfil da turma com o que a sua monitorização diz;
  6. Aplica o Passo 1-B: o aluno com CAA sai da prompt da turma e ganha uma prompt própria;
  7. Gera, copia, envia ao Copilot. Nesse instante, as duas prompts entram no Arquivo — e ficam disponíveis para o próximo colega que enfrentar o mesmo problema;
  8. Guarda a configuração como modelo («Ciências Naturais 7.º › Ecossistemas DUA») para o ano que vem;
  9. Descarrega o .txt e arruma-o na pasta do Departamento.
✓ O que aconteceu aqui

Ela não construiu nada de raiz — partiu do trabalho de dois colegas que nunca conheceu, um deles de outra disciplina. E, ao fazê-lo, deixou no Arquivo a primeira prompt de Ciências Naturais com CAA, que não existia. É assim que um repositório cresce: não por obrigação de submeter, mas por cada um partir do que já lá está.

As quatro formas de partilhar — qual usar, e quando

Há quatro mecanismos distintos, que muita gente confunde. Servem coisas diferentes.

MecanismoO que circulaPara quemComo
1. Arquivo
Público, automático
O texto da prompt Qualquer pessoa, no mundo Automático — basta copiar a prompt ou enviá-la a uma IA. Não faz nada.
2. Modelos — ficheiro
Entre colegas e dispositivos
As suas configurações (todos os campos e checkboxes), em pastas Um colega; o seu outro computador «⬇️ Exportar» gera eduprompt-modelos.json. O colega faz «⬆️ Importar»: os modelos juntam-se aos dele, sem apagar nada.
3. Modelos — texto
Ideal para telemóvel
As mesmas configurações, em texto Um colega; o seu telemóvel «📝 Texto» → copiar → colar (Notas, Mensagens, email). No destino: «📝 Texto» → apagar → colar → «✓ Aplicar texto colado».
4. Prompt em .txt
Registo individual
Uma prompt, em ficheiro de texto Si próprio; a pasta do Departamento Descarrega um ficheiro já nomeado — disciplina_ano_tarefa_data.txt —, pronto a arrumar.

A distinção que importa: promptmodelo

  • Uma prompt é o texto final, pronto a colar numa IA. É o que vai para o Arquivo e o que se guarda em .txt. Reutiliza-se editando texto;
  • Um modelo é a configuração que a gerou — os campos, as medidas assinaladas, o DUA, o PASEO. Reutiliza-se mudando campos e regenerando. É muito mais poderoso: preserva a estrutura pedagógica e deixa-o mexer nas peças. É, no fundo, o mesmo que o «Reabrir no EduPrompt» faz a partir do Arquivo — mas com as suas configurações, guardadas por si.

Regra prática: vai usar outra vez com outra turma → guarde um modelo. Vai arquivar o que fez → guarde o .txt. Quer que os outros encontrem → não faça nada, o Arquivo já registou.

✓ Uma sugestão para o Departamento

Construam um conjunto de modelos de referência do Departamento — um por ano de escolaridade, com as medidas típicas das vossas turmas já assinaladas e o Perfil do Agrupamento preenchido — e distribuam-no por exportação de ficheiro. Cada colega importa uma vez, e passa a arrancar de um ponto correto em vez de uma folha em branco. É a intervenção de menor custo e maior retorno de todo o ecossistema.

⚠ Os modelos e os favoritos são locais

Ficam guardados no navegador deste dispositivo. Não estão na nuvem, não seguem a sua conta e perdem-se se limpar os dados do navegador ou se usar um computador partilhado que seja reposto. Numa escola, isto não é um pormenor: exporte regularmente e guarde o ficheiro na sua pasta institucional. Os favoritos do Arquivo nem sequer se exportam.

O Arquivo e a proteção de dados

Não é uma metáfora nem um exagero pedagógico. O registo é automático, o Arquivo é público e não exige autenticação. Uma caracterização escrita à pressa — «o aluno n.º 12, com síndrome de X, e a irmã dele no 5.º ano» — fica pesquisável por qualquer pessoa, em qualquer país, indefinidamente. E, como se viu no Passo 1, um diagnóstico raro identifica a pessoa mesmo sem nome — mais ainda quando acompanhado da escola, do ano e da disciplina.

As medidas do DL 54 assentam frequentemente em dados de saúde, que são dados de categoria especial ao abrigo do artigo 9.º do RGPD. A sua divulgação pública não é um descuido menor.

O que fazer

  • Contagens e barreiras funcionais, sempre. «4 alunos com medidas seletivas: 1 com dificuldades acentuadas de atenção sustentada…» — nunca nomes, iniciais, números de processo, nem síndromes raros;
  • Reveja antes de copiar. O instante em que carrega em «Copiar» é o instante em que a prompt entra no Arquivo. Dentro da ferramenta, não há volta atrás;
  • Se enviou por engano algo identificável, contacte de imediato o responsável pelo repositório (o endereço está no rodapé do Arquivo). O registo pode ser removido na origem — mas alguém tem de o fazer, e quanto mais cedo melhor;
  • Não identifique a escola se isso, somado ao resto, permitir chegar ao aluno.
✓ O lado bom desta restrição

Escrever por barreira funcional em vez de por diagnóstico não é só uma imposição legal — produz melhores materiais. «Necessita de instruções de um passo e apoio visual» diz à IA o que fazer; «tem PEA» não diz nada de acionável. A boa prática de RGPD e a boa prática pedagógica coincidem aqui exatamente. É raro, e convém aproveitar.

Há ainda um segundo benefício, e é o que faz o Arquivo funcionar à escala a que funciona: uma prompt escrita por barreiras funcionais é reutilizável por um professor de outro país, que não tem PEI nem DL 54 — mas tem alunos com as mesmas barreiras.

Notas técnicas: onde vive o Arquivo

O Arquivo é uma página autónoma que lê os registos de um ficheiro prompts_eduprompt.csv colocado na mesma pasta. Tem de estar num servidor — um site, um Moodle, ou equivalente.

Se abrir o ficheiro por duplo-clique (endereço file://), o navegador bloqueia a leitura do CSV por razões de segurança, e verá a mensagem «Não foi possível ler o CSV automaticamente». Não é uma avaria: use o botão «Carregar ficheiro CSV» e indique o ficheiro, ou arraste-o para a página.

O indicador «Sincronizado», no cabeçalho, mostra quando os dados foram atualizados. O botão «Atualizar» força uma nova leitura.

Tal como o gerador, o Arquivo tem tema claro/escuro, modo Acessível e três tamanhos de letra, no painel «Aspeto». As preferências guardam-se neste dispositivo. Licença: MIT (código) e CC BY-NC-SA (conteúdo), de Fernando Rui Campos.

Parte III-B — Percurso completo: da monitorização da turma ao material multiformato

Esta parte é uma demonstração passo a passo, de ponta a ponta. Parte daquilo que a escola já sabe sobre a turma — através da monitorização das medidas de suporte prevista no Decreto-Lei n.º 54/2018 — e chega a materiais em múltiplos formatos, prontos a usar. Os capítulos anteriores explicam os campos; este explica o caminho. No fim, o mesmo percurso é aplicado aos quatro ciclos e ao ensino profissional.

✓ A ideia central, em duas frases

A qualidade do material que a IA devolve depende quase inteiramente da qualidade da caracterização que lhe damos — e essa caracterização não se inventa: já existe, na monitorização que a escola faz das medidas de suporte à aprendizagem. O trabalho do professor não é descrever a turma à IA; é traduzir, de forma anonimizada, aquilo que a monitorização já registou.

Passo 0. O ponto de partida: o que a monitorização já lhe diz

Antes de abrir o EduPrompt C4, reúna a informação que já existe. Não é preciso produzir nada de novo — é preciso ler o que a monitorização produziu.

⚠ Sobre os «Momentos M0 a M4»

Alguns agrupamentos organizam a monitorização das medidas num dispositivo formal de Momentos (M0 a M4). Muitos outros — incluindo escolas secundárias — não têm essa formalização, e monitorizam através das reuniões intercalares e das avaliações de período ou de semestre.

Para efeitos deste percurso, é indiferente. O que importa não é o nome do dispositivo, mas responder a duas perguntas: o que sabemos desta turma à partida? e o que já aprendemos sobre o que resulta e o que não resulta? Onde não houver M0–M4, use a informação de transição do ano anterior e o registo da última reunião intercalar ou de avaliação.

As fontes, e o que retirar de cada uma

FonteO que retirar
Informação de transição
Onde exista, é o «Momento Zero»
Quantos alunos têm medidas e de que nível; o que transitou do ano anterior (ou, no 1.º ano, do pré-escolar); alunos PLNM e o respetivo nível; alunos que não frequentaram o pré-escolar; sinalizações já feitas.
Reuniões intercalares e avaliações de período/semestre
Onde exista o dispositivo formal, corresponde aos Momentos M1–M4
Se as medidas estão a resultar; o que foi ajustado; que estratégias funcionaram e quais não; dados de assiduidade e de participação nos apoios e nas oficinas.
RTP · PEI · PIT
Relatório Técnico-Pedagógico · Programa Educativo Individual · Plano Individual de Transição
As medidas formalmente mobilizadas e as adaptações no processo de avaliação (Art.º 28.º). Não se colam na IA — leem-se, e traduzem-se.
A sua própria observação O que a documentação não capta: quem desiste, quem precisa de tempo, quem lê em voz alta e quem nunca o faz, o que já tentou e falhou.

A abordagem multinível, em três perguntas

O DL 54/2018 organiza as medidas em três níveis cumulativos. Antes de preencher a ferramenta, responda a estas três perguntas:

  1. Medidas universais (Art.º 8.º) — abrangem todos. Que diferenciação, acomodações curriculares, enriquecimento e promoção do comportamento pró-social já são a norma nesta turma? E quantos alunos têm dificuldades persistentes cujo suporte se mantém, ainda assim, a este nível?
  2. Medidas seletivas (Art.º 9.º) — quando as universais não bastam. Quantos alunos, e com que barreira funcional?
  3. Medidas adicionais (Art.º 10.º) — limitações acentuadas e permanentes. Quantos, e com que adaptações curriculares significativas, tecnologias de apoio ou CAA?
⚠ Nunca se sobe de nível sem evidência

As medidas seletivas só se justificam quando as universais foram aplicadas e monitorizadas e se revelaram insuficientes. É exatamente para isso que serve a monitorização — e é por isso que este passo vem antes de qualquer prompt. Uma IA não decide níveis de medidas: a equipa multidisciplinar e o Conselho de Turma decidem, e a IA ajuda a operacionalizar.

Passo 1. Traduzir a monitorização numa caracterização anonimizada

Este é o passo que quase toda a gente salta — e é o que separa um material genérico de um material que serve esta turma.

Exemplo desenvolvido — Ciências Naturais, 7.º ano

A monitorização (informação de transição + última reunião intercalar + observação do professor) diz o seguinte:

  • 26 alunos;
  • todos com medidas universais — e, destes, 5 com dificuldades persistentes cujo suporte se mantém ao nível universal (diferenciação e acomodações curriculares);
  • 4 com medidas seletivas: 1 com perturbação específica da linguagem (PEL), 1 com perturbação de desregulação do humor disruptivo, 1 com PHDA, 1 com PEA;
  • 1 com medidas adicionais: adaptações curriculares significativas (ACS) e défice cognitivo;
  • a última reunião registou que a leitura autónoma de enunciados longos é o principal obstáculo — não a compreensão do conteúdo;
  • recursos: projetor; tablets partilhados (1 por cada 3 alunos); sem laboratório; 2 aulas de 50 minutos.
O texto a colar no campo «Conteúdo» — prompt da TURMA

Tema: os ecossistemas — cadeias alimentares e fluxos de energia (Aprendizagens Essenciais, Ciências Naturais, 7.º ano).

Objetivos: (1) identificar produtores, consumidores e decompositores; (2) construir uma cadeia alimentar a partir de um ecossistema local; (3) explicar o efeito da remoção de um elo.

Perfil da turma (anonimizado): 25 alunos. Todos beneficiam de medidas universais — diferenciação pedagógica e acomodações curriculares —, incluindo 5 alunos com dificuldades persistentes de aprendizagem, cujo suporte se mantém a este nível. 4 alunos com medidas seletivas: 1 com dificuldades acentuadas de linguagem oral (necessita de instruções curtas, apoio visual e tempo de resposta alargado); 1 com dificuldades acentuadas de autorregulação emocional (necessita de previsibilidade, tarefas segmentadas e via de saída em caso de sobrecarga); 1 com dificuldades acentuadas de atenção sustentada (necessita de tarefas curtas, instruções de um passo e pontos de verificação frequentes); 1 com dificuldades de comunicação social e necessidade de rotinas explícitas e apoio visual.

Constrangimento identificado na monitorização: o obstáculo principal é a leitura autónoma de enunciados longos, não a compreensão do conteúdo. Não simplificar o conteúdo — alterar a via de acesso.

Recursos: projetor; tablets partilhados (1 por cada 3 alunos); sem laboratório. 2 aulas de 50 minutos.

✓ Repare em quatro coisas neste texto
  • Não diz «PEA», «PHDA» nem «PEL» — diz o que cada aluno precisa. O material sai melhor e o RGPD fica cumprido;
  • Traz a conclusão da monitorização («o obstáculo é a leitura, não o conteúdo») e diz explicitamente à IA o que não fazer. Sem isto, ela simplifica o conteúdo — que é precisamente o erro a evitar;
  • Declara os recursos reais. Sem isto, vem uma atividade laboratorial que não pode realizar;
  • Diz 25 alunos, e não 26. O aluno com medidas adicionais não está aqui — e a razão está no passo seguinte.

Passo 1-B. Quando fazer duas prompts — e porquê

Regra prática: quando um número muito reduzido de alunos — tipicamente um ou dois — tem um conjunto alargado de medidas (adaptações curriculares significativas, CAA, défice cognitivo, PIT), não os inclua na prompt da turma. Faça duas prompts:

  1. uma prompt da turma, que descreve apenas os restantes alunos e as suas barreiras;
  2. uma prompt específica para esse ou esses alunos, com objetivos próprios, articulada com a mesma atividade e o mesmo tema.
⚠ Porque é que isto importa — e não é exclusão

Um perfil muito específico e muito distante do da turma distorce todo o pedido: a IA tende a puxar o material inteiro na direção desse aluno, baixando a exigência para os outros 25, ou então despacha-o num parágrafo final de «adaptações» — que é exatamente o que o DUA existe para evitar. Nos dois casos, ninguém fica bem servido.

Fazer duas prompts não é segregar: o aluno participa na mesma atividade, no mesmo tema e no mesmo espaço. O que muda é o desenho dos seus objetivos e materiais, que passa a ser feito com o cuidado que merece, em vez de ser um apêndice. É, aliás, o que o RTP e o PEI já preveem: objetivos próprios, contexto comum.

A segunda prompt — aluno com medidas adicionais (o 26.º)

Tema: os ecossistemas — cadeias alimentares (mesmo tema e mesma aula da turma de 7.º ano).

Perfil (anonimizado): 1 aluno com medidas adicionais — adaptações curriculares significativas e limitações acentuadas ao nível cognitivo. Comunica melhor com apoio visual e por associação imagem-palavra. Trabalha em sessões curtas, com apoio de par e do docente de Educação Especial.

Objetivos próprios (não os da turma): (1) associar 6 imagens de seres vivos às categorias «planta» e «animal»; (2) ordenar uma sequência de 3 imagens «planta → herbívoro → carnívoro»; (3) identificar, com pictogramas, o que acontece se retirarmos a planta.

Pedido: material com pictogramas e imagens reais, uma instrução por página, sem texto corrido; tarefa manipulável (cartões para ordenar); critério de sucesso observável para cada objetivo; e indicação de como este aluno participa nos MESMOS momentos coletivos da aula (arranque, trabalho de grupo, síntese final).

Quando NÃO separar: se os alunos com medidas alargadas forem vários e com perfis próximos, ou se as adaptações forem sobretudo de acesso (tempo, leitura de enunciados, formato) e não de currículo, mantenha uma só prompt e trabalhe com o DUA. A separação justifica-se pela distância do currículo, não pela existência de uma medida.

Passo 2. Preencher o EduPrompt C4, campo a campo

Cada linha da caracterização tem um destino na ferramenta. Este é o mapeamento da prompt da turma, no exemplo do 7.º ano:

SecçãoO que assinalarPorquê
ContextoCiências Naturais · 7.º anoAncora as Aprendizagens Essenciais corretas.
TarefaPlanificar sequência didática · e o texto do Passo 1 em «Conteúdo»É aqui que entra tudo o que a monitorização revelou.
Medidas UniversaisDiferenciação pedagógica · Acomodações curricularesAbrangem os 25. São o piso, não a exceção.
Medidas SeletivasApoio pedagógico personalizado · Adaptações curriculares não significativasCorrespondem aos 4 alunos identificados.
Medidas AdicionaisNão assinalar — vão na segunda promptVer o Passo 1-B.
Adaptações de Avaliação (Art.º 28.º)Tempo adicional · Leitura de enunciados · Formatos alternativos de respostaDecorrem do RTP. A avaliação adapta-se com a tarefa, não depois dela.
DUAEnvolvimento · Representação · Ação e expressãoOs três princípios. É isto que transforma «adaptar depois» em «desenhar para todos».
PASEONo máximo 3 ou 4 áreas — aqui: Informação e comunicação, Raciocínio e resolução de problemas, Saber científico, técnico e tecnológicoSó as que a atividade vai efetivamente desenvolver e avaliar. Acima de 4, a ferramenta avisa — e com razão.
AbordagensUma metodologia (ver Passo 3)Empilhar metodologias produz um pedido contraditório.
Formato de SaídaTabela · Tom acessível/simples · Extensão adequada ao produto · Notação: UnicodeCiências Naturais tem notação científica; sem isto, o resultado desformata-se no Word (ver capítulo).
⚠ Os dois erros mais frequentes neste passo
  1. Assinalar as seletivas e adicionais sem assinalar as universais. As medidas do DL 54 são cumulativas: um aluno com medidas adicionais continua a beneficiar das universais. Se só marcar as adicionais, a IA desenha uma tarefa separada — e é isso que o DL 54 e o DUA existem para evitar.
  2. Pedir uma extensão incompatível com o produto. Pedir «100 palavras» para uma sequência didática de duas aulas com materiais diferenciados devolve um esboço inútil. A extensão tem de servir o produto: uma planificação ocupa uma ou mais páginas. Se quer algo curto, peça algo curto — não uma versão amputada de algo longo.

Passo 3. Escolher a metodologia — uma, e coerente com a barreira

A metodologia deve responder ao constrangimento identificado na monitorização, e não a uma preferência genérica. No exemplo, o obstáculo é a leitura autónoma de enunciados longos. Isso exclui, à partida, metodologias que assentam em leitura prévia individual.

  • Sala de Aula Invertida — má escolha aqui. Pressupõe que o aluno estuda o recurso em casa, sozinho. Numa turma cujo obstáculo declarado é a leitura autónoma, é pedir o impossível — e agrava a desigualdade para quem não tem apoio em casa.
  • Aprendizagem Cooperativa — boa escolha. Grupos heterogéneos, papéis explícitos e rotativos, interdependência positiva. A leitura passa a ser partilhada, e os alunos com barreiras de linguagem e de atenção têm papéis reais.
  • Zona FCL «Investigar» — também defensável, se a organização da sala o permitir.
⚠ Uma unidade, um tema — uma metodologia

Assinalar «Cooperativa» e a zona FCL «Investigar» e «Gamificação» não produz uma atividade três vezes melhor: produz um pedido contraditório, e o modelo escolhe uma delas ao acaso, sem o dizer. Numa unidade, com um tema, escolhe-se uma metodologia — e faz-se bem. Metodologias diferentes pertencem a momentos diferentes da sequência, não à mesma tarefa. O EduPrompt C4 avisa nestes casos (ver as regras de compatibilidade).

Passo 4. Gerar, verificar, corrigir — e conhecer os limites do modelo

Gere o pedido, copie-o e cole-o no assistente escolhido. Depois — e este passo não é opcional — leia o resultado como professor, não como utilizador.

  1. As medidas foram integradas ou anexadas? Se o material tem uma atividade principal e um parágrafo final «adaptações para alunos com NEE», falhou. Peça de novo, exigindo desenho universal desde o início.
  2. Baixou o nível de exigência em vez de mudar o acesso? É o erro mais frequente e o mais grave. Um aluno com dificuldades de leitura não precisa de conteúdo mais fácil; precisa de outra via de acesso ao mesmo conteúdo.
  3. Os factos estão certos? Ative «Rigor factual» na Otimização — e verifique na mesma. A IA erra com desenvoltura e convicção.
  4. A notação está colável? Se aparecerem $…$ ou \times, a opção de Notação não foi aplicada.
  5. É exequível com os recursos que declarou?
⚠ Nem tudo o que corre mal é um erro seu — os limites do modelo e da licença

Há resultados fracos que não se corrigem com uma prompt melhor, porque a limitação não está no pedido:

  • Limite de tokens da licença. Pedir o desenho completo de uma sequência de várias aulas, com todos os materiais diferenciados, pode exceder o que o plano disponível permite gerar numa única resposta. O resultado vem truncado, ou empobrecido. Solução: parta o pedido — primeiro a planificação, depois cada material em pedidos separados. O EduPrompt C4 permite gerar e guardar cada um.
  • Capacidades do modelo. Nem todos os modelos geram imagens, e menos ainda geram imagens a cores utilizáveis ou vídeo. Pedir «uma ficha ilustrada com imagens a cores» a um modelo que só produz texto devolve descrições de imagens, não imagens. Solução: peça o texto e as descrições dos visuais, e produza-os noutra ferramenta — ou escolha um modelo com essa capacidade.
  • Janela de contexto. Carregar muitos ficheiros extensos degrada a qualidade da resposta, mesmo em ferramentas ancoradas às fontes. Menos fontes, melhores fontes.

Conhecer estes limites antes de pedir poupa tempo e evita a frustração de culpar a ferramenta — ou a si próprio — por algo que é uma restrição técnica.

✓ Iterar é normal

Raramente o primeiro resultado é o final. A vantagem de um pedido estruturado é que não é preciso recomeçar: mude um campo, gere outra vez. É para isso que o construtor existe.

Passo 5. DUA e multiformato: o NotebookLM e que ficheiros carregar

O segundo princípio do DUA — múltiplos meios de representação — exige que o mesmo conteúdo exista em mais do que um formato. É aqui que uma ferramenta como o NotebookLM se torna útil: não inventa conteúdo, reformula o que lhe damos — e devolve-o em texto, resumo, guia de estudo, perguntas, mapa mental e áudio.

✓ Porque é que o NotebookLM é diferente

Ao contrário de um assistente genérico, está ancorado às fontes que carregamos. Isso reduz drasticamente a invenção de factos e, sobretudo, permite que a fonte de verdade seja o professor — e não a Web.

Os ficheiros a carregar, por ordem de importância

  1. O seu próprio ficheiro de qualidade sobre o tema. É o mais importante, e é o que quase toda a gente omite. Os seus apontamentos, a sua sebenta, a sua seleção de fontes fidedignas, a sua planificação. É o que garante rigor científico, alinhamento com o que efetivamente ensina, e linguagem adequada ao ano.
    ⚠ Porque é preferível ao que está na Web

    Se não der fontes, o modelo vai buscar o que existe — e o que existe está em inglês, é de outro sistema de ensino e não está alinhado com as Aprendizagens Essenciais. Com o seu ficheiro, o material sai seu: com o seu rigor, o seu nível e o seu vocabulário. É a diferença entre um recurso genérico e um recurso da sua disciplina.

  2. A própria prompt, exportada em PDF pelo EduPrompt C4 («🖨 Imprimir / PDF»). Contém o contexto, o perfil anonimizado, as medidas, o DUA e o formato pretendido — e funciona como briefing: o NotebookLM passa a saber para quem está a produzir, e não apenas o quê.
  3. As Aprendizagens Essenciais da disciplina e do ano (PDF da DGE). Ancoram o conteúdo no currículo português.
  4. Documentos de referência sobre as problemáticas presentes na turma — por exemplo, a Lista de Adaptações para Alunos com Dislexia e as Notas sobre PHDA do Agrupamento. São documentos genéricos e não identificáveis: descrevem a problemática, não o aluno. Carregá-los faz com que as sugestões de acessibilidade deixem de ser vagas e passem a ser as que o Agrupamento efetivamente adota.
  5. Excertos do manual ou de textos de apoio — com parcimónia, e atento aos direitos de autor. Não carregue obras completas.

O que pedir, depois de carregadas as fontes

PedidoServe que princípio do DUA
Resumo em leitura fácil: frases curtas, uma ideia por parágrafoRepresentação — para quem tem dificuldades de leitura
Audio Overview — o conteúdo em conversa áudioRepresentação — o mesmo conteúdo sem leitura. Provavelmente o maior ganho para uma turma com este perfil
Guia de estudo e FAQEnvolvimento e autorregulação
Mapa mental / esquemaRepresentação — organização visual
Glossário ilustrado do vocabulário-chaveRepresentação — essencial para alunos PLNM de nível A0 ou A1
Perguntas de verificação em três níveisAção e expressão — múltiplas formas de demonstrar
⚠ Uma objeção legítima, e a resposta

Vários docentes objetam, com razão, que se forem os alunos a usar o NotebookLM para resumir, deixam de treinar a síntese, a leitura ativa e a análise — competências que só se desenvolvem exercitando-as. A objeção é sólida, e a literatura apoia-a.

A distinção decisiva é quem usa a ferramenta, e para quê. Neste percurso, quem a usa é o professor, para produzir um material multiformato que remove uma barreira de acesso. Isso não substitui o esforço cognitivo do aluno — permite que ele exista. Um aluno que não consegue ler o enunciado não está a treinar a síntese: está a ficar de fora.

Passo 5-B. E se forem os alunos a usar o NotebookLM?

É possível, é por vezes muito valioso — e exige condições que não são negociáveis.

O que os alunos podem fazer com proveito real

Cumpridas as condições, há um uso que inverte a objeção do capítulo anterior em vez de a confirmar: o aluno não usa a ferramenta para evitar o esforço, mas para adaptar o material às suas próprias preferências e dificuldades.

  • Produzir o seu próprio podcast de estudo a partir do material de referência que o professor disponibilizou. O aluno que aprende melhor a ouvir passa a ter o conteúdo em áudio — feito por si, a partir de fontes fiáveis;
  • Gerar perguntas sobre os pontos em que sente mais dificuldade — o que exige, primeiro, identificá-los. É metacognição, não atalho;
  • Construir um guia de estudo ou um mapa mental no formato que lhe serve;
  • Preparar-se para uma apresentação, testando se compreendeu o suficiente para responder a perguntas.
✓ Duas regras que fazem toda a diferença
  1. As fontes são as do professor. O aluno carrega o material de referência que lhe foi dado — não a Web. Isto garante rigor e mantém a ferramenta como reformuladora, não como autora;
  2. Orientação prévia do docente. Uma sessão curta em que se explica o que a ferramenta faz, o que não faz, e onde está a fronteira entre adaptar o formato (legítimo) e substituir o trabalho (não é). Sem esta conversa, o previsível acontece.

Onde continua a não ser aceitável: entregar a ferramenta aos alunos para que ela lhes resuma os textos que deviam ler, ou lhes escreva o que deviam escrever. A fronteira é esta: mudar o formato de acesso é acessibilidade; substituir o trabalho cognitivo é outra coisa.

Passo 6. Fechar o ciclo: devolver o resultado à monitorização

O percurso não acaba no material. Acaba onde começou — na monitorização.

  1. Aplique a tarefa e observe: as adaptações removeram a barreira, ou não?
  2. Registe na reunião intercalar ou de avaliação seguinte (ou no Momento correspondente, onde exista): a medida universal foi suficiente? A seletiva está a resultar? Há evidência para ajustar?
  3. Guarde o material na pasta partilhada do Departamento ou do Conselho de Ano, e submeta a prompt ao Repositório. O que funcionou consigo funciona provavelmente com um colega — e a próxima turma começa de um ponto melhor.
✓ É isto que faz da IA uma prática, e não um episódio

Monitorizar → caracterizar → desenhar → verificar → aplicar → monitorizar outra vez. A IA entra no meio do ciclo; não o substitui. Um material produzido sem monitorização a montante e sem registo a jusante é um material órfão — pode até ser bom, mas não melhora a escola.

O mesmo percurso nos quatro ciclos — perfis reais

O C4 do nome refere-se aos quatro ciclos que a ferramenta serve. O percurso é sempre o mesmo; muda o que se recolhe e o que se produz. Os perfis abaixo são reais, do Agrupamento — e servem de modelo para a caracterização a colar no campo «Conteúdo».

🧸 Pré-escolar

Monitorização: não há informação de transição a montante — o pré-escolar é o ponto zero. É aqui que se produz a informação que fará falta ao 1.º ano. Registe-a a pensar em quem a vai ler.

Perfil do grupo:

  • Medidas adicionais: 3 crianças com PEA — 2 sem linguagem verbal funcional, com CAA;
  • Medidas seletivas: 3 — linguagem oral, atenção, literacia emergente;
  • PLNM: 3 (nível A0 — crianças migrantes de chegada recente);
  • Diferenciação pedagógica para as restantes.
Caracterização a colar

Grupo de 22 crianças (5 anos). Todas beneficiam de diferenciação pedagógica. 3 crianças com dificuldades acentuadas de comunicação social — 2 delas sem linguagem verbal funcional, comunicando por sistema aumentativo e alternativo com pictogramas; necessitam de rotinas visuais, antecipação e instrução de um passo. 3 crianças com dificuldades ao nível da linguagem oral, da atenção e da literacia emergente — necessitam de apoio de par, modelagem e tarefas curtas. 3 crianças de língua materna não portuguesa, em fase inicial de aquisição — necessitam de apoio visual, nomeação repetida e vocabulário-chave ilustrado.

Ferramenta: Área de Conhecimento do Mundo · Criar guião de atividade · Medidas Universais + Seletivas + Adicionais (CAA) · DUA (os três princípios) · PLNM A0 · Formato: guião passo a passo, tom acessível.
Nota: com 3 crianças com medidas adicionais e perfis próximos, não separe a prompt — trabalhe com o DUA. A separação (Passo 1-B) justifica-se quando é um ou dois alunos com perfil muito distante do do grupo.
Multiformato: pictogramas e sequências visuais. O Audio Overview tem pouco uso aqui; a imagem é tudo.

✏️ 1.º Ciclo — DAC «A Nossa Escola em Ação pelo Clima», 2.º ano

Monitorização: informação de transição do pré-escolar. Verifique se existe — e sinalize quem não frequentou o pré-escolar, ou chegou de outro país.

Perfil da turma (22 alunos):

  • Medidas adicionais: 3 — 1 com paralisia cerebral e ACS; 2 com PEA, um deles com ACS e CAA;
  • Medidas seletivas: 5 — 1 com PEL, 1 com síndrome de DiGeorge, 3 com dificuldades acentuadas de aprendizagem;
  • Diferenciação pedagógica para as restantes;
  • Adaptações do Art.º 28.º a mobilizar: tempo adicional, leitura de enunciados, formatos alternativos de resposta, e — para os alunos com ACS — critérios de avaliação próprios.
⚠ Aqui aplica-se o Passo 1-B — mas com cuidado redobrado

Dos 3 alunos com medidas adicionais, 2 têm ACS — objetivos curriculares próprios, portanto muito distantes dos da turma. Faça uma prompt específica para eles e mantenha a prompt da turma com os restantes 20 (universais + as 5 seletivas). O aluno com CAA precisa, além disso, que o material inclua os pictogramas do seu sistema.

Sobre o síndrome de DiGeorge: por ser raro, é identificável. Na prompt, escreva a barreira funcional — «dificuldades de atenção, fadiga e memória de trabalho reduzida» — e não o nome do síndrome.

Ferramenta: Estudo do Meio · Planificar sequência didática · Universais + Seletivas + Art.º 28 + DUA · PASEO: 3 áreas · Cooperativa · Formato: tabela.
Multiformato: carregue no NotebookLM o seu ficheiro sobre resíduos, a lista de adaptações do Agrupamento e as AE do 2.º ano; peça leitura fácil, glossário ilustrado e áudio.

🔬 2.º e 3.º Ciclos — Matemática e Ciências Experimentais

Perfil da turma (26 alunos) — é o exemplo desenvolvido nos Passos 1 e 2:

  • Medidas universais: todos — e, destes, 5 com dificuldades persistentes cujo suporte se mantém a este nível;
  • Medidas seletivas: 4 — 1 com PEL, 1 com perturbação de desregulação do humor disruptivo, 1 com PHDA, 1 com PEA;
  • Medidas adicionais: 1 — ACS e défice cognitivo → prompt separada (Passo 1-B).

Ferramenta: ver a tabela completa do Passo 2. Não esqueça a Notação: Unicode — é em Matemática e em Físico-Química que a desformatação no Word mais custa, e é uma das queixas mais frequentes.

📖 2.º e 3.º Ciclos — Línguas

Perfil da turma:

  • Medidas adicionais: 2, ambas com ACS — uma com síndrome de Koolen-De Vries e com PIT (Plano Individual de Transição);
  • Medidas seletivas: 1 — PEL com dislexia;
  • Medidas universais: 5 — insucesso escolar persistente;
  • PLNM: nível A0 (alunos migrantes de chegada recente) ou A1.
⚠ Dois cuidados específicos
  • Síndrome de Koolen-De Vries é raríssimo — nomeá-lo numa prompt identifica o aluno, ainda que sem nome. Escreva apenas a barreira funcional: «dificuldades acentuadas de aprendizagem, hipotonia e dificuldades de comunicação expressiva; necessita de apoio visual, instruções curtas e tarefas manipuláveis».
  • Os 2 alunos com ACS têm objetivos curriculares próprios → prompt separada. E, tendo um deles PIT, os materiais devem articular-se com o projeto de vida e a transição pós-escolar — o que muda a natureza da tarefa: privilegie contextos funcionais e comunicação prática, e não análise literária.

Ferramenta: Português · Diferenciar/adaptar texto ou Criar ficha diferenciada (3 níveis) · Universais + Seletivas · PLNM A0/A1 · DUA · Art.º 28 (leitura de enunciados, tempo adicional).
Multiformato: glossário ilustrado e audiolivro do texto são, aqui, o que muda o jogo — sobretudo para os alunos PLNM A0 e para o aluno com dislexia.

🎓 Ensino Secundário

Monitorização: raramente existe o dispositivo formal M0–M4. As fontes são a informação de transição do 9.º ano, as reuniões intercalares e as avaliações de período ou semestre. Acrescem dois dados que no básico são secundários e aqui são decisivos: a assiduidade aos apoios e às oficinas (consultável no Inovar ou equivalente) e o risco de abandono.

Perfil ilustrativo — Biologia e Geologia, 10.º ano (28 alunos):

  • Medidas universais: todos — e 6 com insucesso persistente na transição do 3.º ciclo;
  • Medidas seletivas: 4 — 2 com dislexia (adaptações não significativas e apoio pedagógico personalizado), 1 com PHDA, 1 com PLNM de nível B1;
  • Medidas adicionais: 1 — ACS, com PIT (a partir dos 15 anos, ou três anos antes do fim da escolaridade obrigatória) → prompt separada.

Especificidades do secundário:

  • O PIT torna-se central. Para o aluno com medidas adicionais, o material deixa de servir só a disciplina e passa a servir também o projeto de vida. A prompt específica deve pedir isso explicitamente;
  • As adaptações do Art.º 28.º têm de ser compatíveis com os exames nacionais. Não desenhe adaptações em avaliação interna que não possam ser replicadas em prova nacional — cria uma falsa segurança, e o aluno descobre-o da pior forma;
  • Notação científica é obrigatória em Física e Química A, Matemática A e Biologia e Geologia. Escolha Unicode;
  • A autorregulação passa a ser um objetivo em si. Guias de estudo, calendarização e autoavaliação valem tanto como o conteúdo.

Ferramenta: Biologia e Geologia · 10.º ano · Criar rubrica de avaliação ou Planificar sequência · Universais + Seletivas · PLNM B1 · Art.º 28 · DUA · Notação: Unicode.
Multiformato: o Audio Overview é particularmente eficaz para revisões e para deslocações; o guia de estudo, para autorregulação. E é a partir daqui — alunos com 15 ou mais anos — que o uso pelos próprios alunos (Passo 5-B) se torna mais defensável, cumpridas as condições.

🔧 Ensino Profissional

Monitorização: a lógica é modular, não periódica. Acompanha-se módulo a módulo / UFCD a UFCD, com módulos em atraso como indicador central. A assiduidade é crítica — e a Formação em Contexto de Trabalho (FCT) acrescenta uma dimensão que não existe no regular.

Perfil ilustrativo — turma de 20 alunos, curso profissional:

  • Medidas universais: todos — e 8 com percurso de insucesso persistente no básico (é a norma, não a exceção, nesta via);
  • Medidas seletivas: 3 — 1 com dislexia, 1 com PHDA, 1 com PLNM de nível A2;
  • Medidas adicionais: 1 — ACS e PIT, com FCT adaptada → prompt separada.

Especificidades do profissional:

  • A área de formação é o motor do envolvimento. Contextualize tudo na profissão: a estatística é a da oficina, o texto é o do relatório técnico, a química é a da cozinha ou do laboratório. É a alavanca mais poderosa que tem — e a que mais se desperdiça;
  • Avaliação modular: peça critérios por módulo/UFCD, e não por período. E preveja recuperação de módulos — a tarefa «Criar plano de recuperação» existe para isto;
  • O PIT e a FCT articulam-se. Para o aluno com medidas adicionais, a prompt específica deve pedir materiais que preparem as tarefas reais do posto de trabalho, com apoios visuais e listas de verificação;
  • Materiais práticos, não escolares. Fichas de procedimento, listas de verificação, guiões de posto — não fichas de exercícios.

Ferramenta: disciplina «Outra» (indique a UFCD) · ano «Ensino Profissional» · Criar guião de atividade ou Criar rubrica · Universais + Seletivas · PLNM · DUA · Formato: guião passo a passo, tom objetivo.
Multiformato: vídeo curto de procedimento e checklist visual valem mais do que qualquer resumo escrito. Carregue no NotebookLM o referencial da UFCD e os seus materiais técnicos.

Checklist do percurso completo

  • ☐ Li a informação de transição e o registo da última reunião intercalar ou de avaliação;
  • ☐ Sei quantos alunos têm medidas universais, seletivas e adicionais — e que barreira funcional cada grupo enfrenta;
  • ☐ Verifiquei se há um ou dois alunos com medidas alargadas que justifiquem uma prompt separada (Passo 1-B);
  • ☐ Escrevi a caracterização sem nomes, sem iniciais e sem diagnósticos raros (que identificam mesmo sem nome);
  • ☐ Incluí a conclusão da monitorização — e disse à IA o que não fazer;
  • ☐ Assinalei as medidas universais além das seletivas (são cumulativas);
  • ☐ Assinalei os três princípios do DUA;
  • ☐ Escolhi uma metodologia, coerente com a barreira identificada;
  • ☐ Assinalei no máximo 4 áreas do PASEO — só as que a atividade vai desenvolver e avaliar;
  • ☐ Pedi uma extensão compatível com o produto (não 100 palavras para uma planificação);
  • ☐ Escolhi a Notação adequada, se a disciplina tem fórmulas;
  • ☐ Confirmei que o modelo e a licença conseguem produzir o que peço (tokens, imagens, vídeo);
  • ☐ Verifiquei o resultado: as adaptações estão integradas, e não anexadas no fim;
  • ☐ Confirmei que não baixei a exigência — mudei a via de acesso;
  • ☐ Se usei o NotebookLM: carreguei o meu ficheiro de qualidade, a prompt em PDF e os documentos de referência — e nenhum dado de aluno;
  • ☐ Se os alunos o vão usar: política do Agrupamento, autorização dos EE, 13+ anos e orientação prévia — as quatro;
  • ☐ Guardei o material na pasta do Departamento e submeti a prompt ao Repositório;
  • ☐ Registei na reunião seguinte se a medida resultou.

Parte IV — Aplicação pedagógica

Esta parte apresenta o fluxo de trabalho recomendado e três casos práticos detalhados (um por ciclo).

28. Fluxo de trabalho em 5 passos

  1. Definir a intenção pedagógica — conteúdo, momento, perfil da turma, produto, tempo.
  2. Construir a prompt — Contexto → Planificação → Tarefa/Conteúdo → Medidas → PLNM → Adaptações → Abordagens → Formato → Otimização.
  3. Verificar a prompt — completude, ausência de dados pessoais, coerência interna.
  4. Enviar e ler com olhar crítico — aplicar a lista de verificação do Cap. 10.
  5. Adaptar e arquivar — corrigir, completar, encurtar; documentar para reutilização.
✔ A iteração é regra, não exceção

Pratique a iteração: peça correções específicas, expansões, simplificações. A IA é um assistente conversacional, não um oráculo.

29. Três casos práticos por ciclo

Caso 1 — 1.º ciclo (Estudo do Meio, 3.º ano)

Cenário: turma com 22 alunos (1 PLNM A2, 2 ACNS, 1 altas capacidades). Unidade «À descoberta dos seres vivos».

Configuração: Estudo do Meio · 3.º ano · MU(a,b,c) · MS(b) · PLNM A2 · Cooperativa · Pensamento Crítico · Ficha diferenciada (3 níveis) · Ficha formatada · Médio · Acessível.

Caso 2 — 2.º ciclo (HGP, 5.º ano)

Cenário: sequência de 4 aulas sobre «Os primeiros povos na Península Ibérica», 26 alunos.

Configuração: HGP · 5.º ano · 4 aulas · MU(a,d) · PLNM B1 · ABP + Cooperativa + FCL(Investigar, Criar, Apresentar) · Planificar sequência didática.

Caso 3 — 3.º ciclo (TIC, 8.º ano)

Cenário: projeto interdisciplinar TIC + Cidadania sobre cidadania digital, 28 alunos.

Configuração: TIC · 8.º ano · 6 aulas · MU(a,c,d) · ABP + FCL(Investigar, Criar, Apresentar, Trocar) + Pensamento Crítico + Comunicação + Colaboração + Literacia Digital + Bloom (níveis superiores) + STEAM · Criar projeto interdisciplinar.

30. Avaliação crítica do output

Dimensão pedagógica

  • Adequado ao ano e ao perfil da turma?
  • Trabalha efetivamente os descritores das AE?
  • A diferenciação está concretizada?
  • Respeita as medidas selecionadas?

Dimensão científica

  • Conceitos corretos?
  • Datas, nomes, citações exatos?
  • Soluções de exercícios corretas?

Dimensão linguística

  • Português europeu?
  • Sem brasileirismos?
  • Acordo Ortográfico em vigor?
⚠ Brasileirismos: vício recorrente

Os modelos são treinados em corpora dominados pelo português do Brasil. Mesmo quando instruídos para PT-PT, podem deixar passar «você», «celular», «trem», gerúndio continuativo. Releia sempre.

31-32. Refinamento iterativo e erros comuns

Tipos de pedido

  • Encurtar, expandir, simplificar, reformular, corrigir, reformatar, garantir PT-PT.

Erros comuns — de seleção

  • Excesso de seleções (medidas, abordagens, standards). Assinalar tudo não produz um material mais completo: produz um material sem foco. A IA distribui-se por todos os pedidos e não aprofunda nenhum;
  • Misturar metodologias pedagógicas. Uma unidade, um tema — uma metodologia. Assinalar Cooperativa e uma zona FCL e Gamificação produz um pedido contraditório, e o modelo escolhe uma delas ao acaso, sem o dizer. Metodologias diferentes pertencem a momentos diferentes da sequência, não à mesma tarefa (ver as regras de compatibilidade);
  • Assinalar mais de 4 áreas de competências do PASEO. O PASEO tem dez, e é tentador marcá-las quase todas — mas considere apenas as que a atividade vai efetivamente desenvolver e avaliar. Acima de quatro, o modelo produz referências decorativas: menciona as competências sem que elas tenham tradução na tarefa (ver capítulo);
  • Assinalar as medidas seletivas e adicionais sem assinalar as universais. São cumulativas. Se só marcar as adicionais, a IA desenha uma tarefa separada — que é o oposto do que o DL 54 e o DUA pretendem;
  • Incluir na prompt da turma um aluno com um conjunto muito alargado de medidas. Um perfil muito distante do da turma distorce todo o pedido. Faça duas prompts (ver Passo 1-B).

Erros comuns — de formulação

  • Conteúdo demasiado pobre. «Frações, 5.º ano» não chega. Sem perfil da turma, sem objetivos e sem recursos, o material sai genérico — e genérico é inútil;
  • Pedir uma extensão incompatível com o produto. Pedir «100 palavras» para uma sequência didática de duas aulas com materiais diferenciados devolve um esboço que não serve para nada. Uma planificação ocupa uma ou mais páginas. Se quer algo curto, peça algo que seja curto — não uma versão amputada de algo longo;
  • Inconsistência interna — pedir uma ficha «muito curta» e ao mesmo tempo três níveis de diferenciação, um glossário e uma rubrica;
  • Não dizer o que não fazer. Se a monitorização mostrou que a barreira é a leitura e não o conteúdo, escreva-o — senão a IA simplifica o conteúdo, que é precisamente o erro a evitar.

Não são erros — são limites do modelo e da licença

Há resultados fracos que nenhuma prompt corrige, porque a limitação não está no pedido:

  • Limite de tokens. O desenho completo de uma sequência de várias aulas, com todos os materiais, pode exceder o que a licença disponível permite gerar numa resposta. O resultado vem truncado ou empobrecido. Solução: parta o pedido — a planificação primeiro, cada material depois;
  • Capacidades do modelo. Nem todos geram imagens, e menos ainda imagens a cores utilizáveis ou vídeo. Pedir «ficha ilustrada a cores» a um modelo de texto devolve descrições de imagens, não imagens. Solução: peça o texto e as descrições dos visuais, e produza-os noutra ferramenta — ou escolha um modelo com essa capacidade;
  • Janela de contexto. Carregar muitos ficheiros extensos degrada a resposta, mesmo em ferramentas ancoradas às fontes. Menos fontes, melhores fontes.

Saber isto antes de pedir poupa tempo — e evita atribuir à ferramenta, ou a si próprio, o que é uma restrição técnica.

Erros comuns — de postura

  • Confiar cegamente no resultado. A IA erra com desenvoltura e convicção;
  • Inserir dados pessoais — nomes, iniciais, números de processo. E, atenção: um diagnóstico raro identifica a pessoa mesmo sem nome. Escreva a barreira funcional, não o síndrome;
  • Não arquivar as prompts úteis. O trabalho perde-se, e o colega do lado repete-o;
  • Substituir o juízo profissional. A IA opera no meio do ciclo — não decide níveis de medidas, nem dispensa a verificação.

Parte V — Recursos

33-36. Glossários e referências

Veja os glossários completos na secção Glossários e a legislação em Legislação e normativos.

✔ Aprender em comunidade

A integração de IA generativa em educação é um campo em rápida evolução. Recomenda-se a participação em formações contínuas certificadas, em comunidades de prática e em redes profissionais de docentes.

Metodologias e Quadros Pedagógicos em Detalhe

Aprofundamento de cada metodologia ativa, quadro pedagógico e standard internacional disponíveis no EduPrompt C4, com hiperligações para fontes oficiais e recursos académicos.

📋 Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP / PBL)

Metodologia em que os alunos investigam questões autênticas e produzem um produto final visível para uma audiência real. Distingue-se da mera «realização de trabalhos» pela presença de questão geradora desafiante, voz dos alunos, processo de investigação rigoroso e produto público.

Características essenciais (segundo PBLWorks/Buck Institute)

  • Conhecimento e competências-chave alinhados com o currículo;
  • Desafio autêntico ou problema com significado real;
  • Investigação contínua ao longo de várias sessões;
  • Voz e escolha dos alunos;
  • Reflexão sobre o processo;
  • Crítica e revisão entre pares;
  • Produto público apresentado a audiência real.
🔗 Recursos sobre ABP

🔁 Sala de Aula Invertida (Flipped Classroom)

Modelo proposto por Bergmann e Sams em que o conteúdo é estudado autonomamente em casa (vídeo, leitura) e o tempo de aula é dedicado a aplicação, discussão e aprofundamento. Permite diferenciação efetiva: cada aluno avança ao seu ritmo no estudo prévio, e na aula recebe apoio personalizado.

Quatro pilares (FLIP)

  • Flexible Environment — espaços e tempos flexíveis;
  • Learning Culture — aluno no centro;
  • Intentional Content — escolha intencional do que vai para vídeo e do que fica para a aula;
  • Professional Educator — papel ativo e atento do docente.
🔗 Recursos sobre Flipped Classroom

🎨 Design Thinking

Processo criativo, popularizado pela Stanford d.school e pela IDEO, que aplica métodos de design à resolução de problemas. Cinco fases não-lineares:

  1. Empatizar — compreender as pessoas afetadas;
  2. Definir — formular o problema central;
  3. Idear — gerar muitas soluções possíveis;
  4. Prototipar — criar versão tangível e simplificada;
  5. Testar — recolher feedback e iterar.
🔗 Recursos sobre Design Thinking

🤝 Aprendizagem Cooperativa

Trabalho em pequeno grupo estruturado, distinto do mero «trabalho de grupo». Os irmãos Johnson identificaram cinco elementos essenciais:

  1. Interdependência positiva — o sucesso de um depende dos outros;
  2. Responsabilidade individual — cada um responde pela sua parte;
  3. Interação face a face — encorajamento mútuo;
  4. Competências sociais — escutar, negociar, gerir conflitos;
  5. Avaliação grupal — refletir sobre o funcionamento.

Estruturas cooperativas conhecidas: Jigsaw (puzzle), Think-Pair-Share, Numbered Heads Together, Round-Robin.

🔗 Aprendizagem Cooperativa

🚀 Future Classroom Lab (FCL)

Iniciativa da European Schoolnet que organiza a sala de aula em seis zonas de aprendizagem complementares, cada uma correspondendo a uma intenção pedagógica:

  • Investigar (Investigate) — pesquisa autónoma, descoberta;
  • Criar (Create) — produção, multimédia, abordagem maker;
  • Apresentar (Present) — comunicação, audiência, feedback;
  • Interagir (Interact) — participação ativa, dispositivos individuais;
  • Trocar (Exchange) — colaboração, brainstorming;
  • Desenvolver (Develop) — informal, autodirigida, reflexão.
🔗 Future Classroom Lab

♿ Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA / UDL)

Quadro desenvolvido pelo CAST (Center for Applied Special Technology). Três princípios e nove diretrizes (versão 3.0, 2024):

Princípio 1 — Múltiplos meios de envolvimento (o «porquê»)

  • Boas-vindas e interesse;
  • Esforço sustentado e persistência;
  • Regulação emocional.

Princípio 2 — Múltiplos meios de representação (o «o quê»)

  • Perceção;
  • Linguagem e símbolos;
  • Construção de conhecimento.

Princípio 3 — Múltiplos meios de ação e expressão (o «como»)

  • Interação;
  • Expressão e comunicação;
  • Função executiva e estratégica.

🧠 Taxonomia de Bloom (revista)

Classificação hierárquica de objetivos cognitivos, originalmente proposta por Benjamin Bloom em 1956 e revista por Anderson e Krathwohl em 2001. Seis níveis (do mais simples ao mais complexo):

  1. Lembrar — recordar, reconhecer;
  2. Compreender — interpretar, exemplificar, resumir;
  3. Aplicar — executar, implementar;
  4. Analisar — diferenciar, organizar, atribuir;
  5. Avaliar — verificar, criticar;
  6. Criar — gerar, planear, produzir.

Trabalhar nos «níveis superiores» (Analisar, Avaliar, Criar) é fundamental para evitar uma educação centrada apenas na memorização.

🧭 OCDE — Future of Education and Skills 2030

Projeto da OCDE que propõe uma Learning Compass 2030: bússola que guia os alunos perante incerteza. Conceitos centrais:

  • Agência do aluno — capacidade de definir objetivos e atuar para os alcançar;
  • Co-agência — colaboração com pares, professores, comunidade;
  • Ciclo AAR — Antecipação, Ação, Reflexão.

💻 DigComp — Quadro Europeu de Competência Digital

Quadro publicado pelo Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia. Versão atual: DigComp 2.2 (2022). Cinco áreas:

  1. Literacia da informação e dos dados;
  2. Comunicação e colaboração;
  3. Criação de conteúdos digitais;
  4. Segurança;
  5. Resolução de problemas.

Existe também o DigCompEdu, dirigido a competências digitais dos educadores.

🚀 EntreComp — Quadro Europeu de Competência Empreendedora

Quadro publicado pelo JRC com três áreas e quinze competências:

  • Ideias e oportunidades: identificar oportunidades, criatividade, visão, valor das ideias, pensamento ético e sustentável;
  • Recursos: autoconhecimento e autoeficácia, motivação e perseverança, mobilizar recursos, literacia financeira, mobilizar outros;
  • Em ação: tomar a iniciativa, planear e gerir, lidar com a ambiguidade e o risco, trabalhar com outros, aprender pela experiência.
🔗 EntreComp

🔬 STEAM — Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática

Abordagem interdisciplinar que integra Ciência (S), Tecnologia (T), Engenharia (E), Artes (A) e Matemática (M) em projetos autênticos. A inclusão das Artes (passagem de STEM para STEAM) reconhece que a criatividade, o pensamento divergente e a sensibilidade estética são essenciais para a inovação.

Princípios STEAM: integração de disciplinas, problemas autênticos, pensamento de design, criatividade, colaboração, comunicação.

🎮 Gamificação

Aplicação de elementos típicos de jogo (pontos, níveis, desafios, narrativa, recompensas) a contextos não-lúdicos para aumentar a motivação e o envolvimento. Distinta de game-based learning (jogos pedagógicos completos).

Elementos comuns

  • Pontuação, níveis e progressão;
  • Distintivos (badges) e troféus;
  • Tabelas de classificação;
  • Narrativa envolvente;
  • Desafios e missões;
  • Recompensas e feedback imediato.
⚠ Cuidado com a gamificação

A gamificação mal desenhada pode reforçar motivação extrínseca e prejudicar a aprendizagem. Use-a para tornar tarefas significativas mais envolventes, não para mascarar tarefas pouco significativas.

Legislação e Normativos Portugueses

Compilação dos diplomas e documentos normativos referenciados no manual e na ferramenta, com hiperligações diretas ao Diário da República e à DGE.

📜 Educação Inclusiva

📜 Currículo dos ensinos básico e secundário

📜 Proteção de dados

📜 Inteligência Artificial — Regulamento Europeu

Glossários

🤖 Glossário de termos de IA

TermoDefinição
AlucinaçãoProdução de informação fabricada apresentada com aparência fluente e segura. Pode incluir factos inventados, citações inexistentes, datas erradas ou referências falsas.
Agente (de IA)Sistema que, a partir de um objetivo, planeia e executa uma sequência de passos com alguma autonomia, podendo usar ferramentas externas. Distingue-se de um chatbot, que apenas responde turno a turno.
Aprendizagem profunda (deep learning)Sub-área da aprendizagem automática baseada em redes neuronais com múltiplas camadas; sustenta os atuais LLM.
Chain-of-thought (cadeia de raciocínio)Técnica em que se pede ao modelo que explicite os passos intermédios do raciocínio antes da resposta final. Corresponde à opção «Pensa passo a passo» do EduPrompt C4.
ChatbotAplicação que dialoga em linguagem natural; em IA generativa, é a interface visível dos modelos de linguagem.
Contexto / Janela de contextoQuantidade de texto (tokens) que o modelo consegue processar de uma só vez.
CorpusConjunto de textos utilizados para treinar um modelo de linguagem.
EmbeddingRepresentação numérica vetorial de palavras, frases ou documentos, usada para comparar significado.
Few-shot promptingTécnica em que se incluem alguns exemplos no início da prompt para orientar o estilo ou formato pretendido.
Fine-tuningTreino adicional de um modelo já existente com um conjunto de dados específico, para o adaptar a uma tarefa.
IA generativaCategoria de IA cujos sistemas produzem conteúdos novos a partir de uma instrução.
InferênciaProcesso de geração de uma resposta por um modelo já treinado, em resposta a uma prompt.
LLM (Large Language Model)Modelo de linguagem de grande escala — base dos chatbots de IA generativa de texto.
Mode collapseTendência de um modelo para devolver sempre a resposta «mais típica», perdendo diversidade. É o problema que o Verbalized Sampling procura atenuar.
Modelo de linguagemSistema estatístico que prevê a probabilidade de uma sequência de palavras.
MultimodalModelo capaz de processar e/ou gerar mais do que um tipo de conteúdo.
ParâmetrosVariáveis aprendidas durante o treino. Os modelos atuais têm centenas de milhares de milhões.
PromptInstrução escrita que o utilizador envia ao modelo de IA. A qualidade da resposta depende criticamente da qualidade da prompt.
Prompt engineeringDisciplina dedicada ao desenho eficaz de prompts.
RAG (Retrieval Augmented Generation)Arquitetura em que o modelo consulta uma base documental antes de responder.
Role-promptingTécnica em que se atribui ao modelo um papel («És um professor experiente de...»). É a estratégia que o EduPrompt C4 usa por defeito.
STORMMétodo de questionamento multi-perspetiva (Stanford): o modelo assume várias perspetivas que levantam perguntas antes de produzir o material, tornando-o mais completo e fundamentado. Disponível na secção «Otimização» do EduPrompt C4.
System promptInstrução de base que define o comportamento e o papel do modelo, distinta da mensagem do utilizador. No EduPrompt C4, corresponde ao bloco de contexto e papel da prompt gerada.
TemperaturaParâmetro que controla a aleatoriedade da resposta. Mais baixa → mais determinística; mais alta → mais criativa.
TokenUnidade de processamento dos modelos. Aproximadamente 1 token ≈ 4 carateres ou ¾ de palavra em português.
Treino (training)Processo durante o qual um modelo aprende a partir de um corpus de dados. Distingue-se da inferência.
Verbalized SamplingTécnica de amostragem diversificada em que o modelo gera várias alternativas distintas, estima a probabilidade de cada uma e as avalia segundo critérios definidos. Atenua o mode collapse. Anteriormente designada nesta ferramenta por «Verbalized Learning». Disponível na secção «Otimização» do EduPrompt C4.
Zero-shot promptingPedir ao modelo que execute uma tarefa sem fornecer exemplos prévios.

📚 Glossário pedagógico

TermoDefinição
ABPAprendizagem Baseada em Projetos. Metodologia ativa em que os alunos investigam questões autênticas e produzem um produto final visível.
ACNSAdaptações Curriculares Não Significativas. Medida seletiva (DL 54/2018, Art.º 9.º, b) que adapta o acesso ao currículo sem comprometer aprendizagens essenciais.
ACSAdaptações Curriculares Significativas. Medida adicional (DL 54/2018, Art.º 10.º, b) que introduz outros objetivos e conteúdos.
AEAprendizagens Essenciais. Documento curricular que define, por disciplina e ano, os conhecimentos, capacidades e atitudes a desenvolver.
Bloom (Taxonomia)Classificação hierárquica de objetivos cognitivos: lembrar, compreender, aplicar, analisar, avaliar, criar.
CASTCenter for Applied Special Technology — organização norte-americana que criou e mantém o quadro do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA).
Cidadania e DesenvolvimentoComponente curricular obrigatória dos ensinos básico e secundário em Portugal.
Design ThinkingMetodologia de resolução de problemas centrada no utilizador, com etapas de empatia, definição, ideação, prototipagem e teste. Disponível como abordagem no EduPrompt C4.
Diferenciação pedagógicaAjuste do ensino — conteúdos, processos, produtos ou ambiente — aos diferentes ritmos, interesses e perfis dos alunos. Primeira alínea das medidas universais (Art.º 8.º).
DigCompQuadro Europeu de Competência Digital para Cidadãos. Cinco áreas (literacia da informação, comunicação, criação de conteúdos, segurança, resolução de problemas).
DL 54/2018Decreto-Lei n.º 54/2018, de 6 de julho — regime jurídico da educação inclusiva.
DUADesenho Universal para a Aprendizagem. Quadro do CAST com três princípios: representação, ação e expressão, envolvimento.
EMAEIEquipa Multidisciplinar de Apoio à Educação Inclusiva. Estrutura prevista no DL 54/2018 (Art.º 12.º).
Educação inclusivaPrincípio segundo o qual a escola deve responder à diversidade de todos os alunos no mesmo contexto, removendo barreiras à aprendizagem. Enquadramento central do DL 54/2018.
EntreCompQuadro Europeu de Competência Empreendedora. Três áreas (ideias e oportunidades, recursos, ação).
FCLFuture Classroom Lab. Iniciativa da European Schoolnet com seis zonas de aprendizagem.
FCTFormação em Contexto de Trabalho. Componente dos cursos profissionais que decorre em ambiente laboral (estágio), podendo atingir várias centenas de horas no ciclo de formação.
GamificaçãoAplicação de elementos de jogo (pontos, níveis, desafios, recompensas) a contextos não-lúdicos para aumentar a motivação. Distinta do game-based learning.
Medidas AdicionaisNível mais intensivo de medidas de suporte (DL 54/2018, Art.º 10.º).
Medidas SeletivasMedidas para alguns alunos (DL 54/2018, Art.º 9.º), com decisão da EMAEI.
Medidas UniversaisMedidas aplicáveis a todos os alunos (DL 54/2018, Art.º 8.º).
OCEPEOrientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar.
PAPProva de Aptidão Profissional. Projeto final dos cursos profissionais, demonstrativo das competências adquiridas ao longo da formação.
NSENecessidades de Saúde Especiais (DL 54/2018, Art.º 2.º, h)). Situações de saúde física ou mental, com impacto na funcionalidade e na frequência escolar, acompanhadas por Plano de Saúde Individual. Não é sinónimo de «necessidades educativas especiais».
PAAPlano Anual de Atividades. Documento de planeamento das atividades do agrupamento para o ano letivo.
PASEOPerfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória — define dez áreas de competências.
PEProjeto Educativo. Documento estratégico que define a identidade, os valores e as metas do agrupamento.
PEAPerturbação do Espetro do Autismo.
PEIPrograma Educativo Individual. Documento que orienta o percurso escolar de alunos com medidas adicionais.
PHDAPerturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção.
PITPlano Individual de Transição. Documento obrigatório a partir dos 15 anos para alunos com ACS.
PLNMPortuguês Língua Não Materna. Níveis QECRL de A0 a C1.
PSIPlano de Saúde Individual. Documento elaborado pela equipa de saúde escolar para alunos com Necessidades de Saúde Especiais (NSE).
QECRLQuadro Europeu Comum de Referência para as Línguas. Seis níveis (A1, A2, B1, B2, C1, C2).
Relatório Técnico-Pedagógico (RTP)Documento previsto no DL 54/2018 que fundamenta a aplicação de medidas seletivas e adicionais.
RIRegulamento Interno. Documento que define as regras de organização e funcionamento do agrupamento.
STEAMCiência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática — abordagem que integra estas áreas em projetos autênticos.
STORMMétodo de questionamento multi-perspetiva (Stanford). O modelo assume várias perspetivas que levantam perguntas antes de produzir o material, tornando-o mais completo e fundamentado. Disponível na secção «Otimização» do EduPrompt C4.
TEACCHTreatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children — metodologia de ensino estruturado para alunos com PEA.
UFCDUnidade de Formação de Curta Duração. Unidade modular do Catálogo Nacional de Qualificações, tipicamente de 25 ou 50 horas, usada nos cursos profissionais e na formação modular. O Catálogo está em revisão, migrando para unidades de competência sem carga horária fixa.